O assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, afirmou que o Brasil deve adotar uma postura firme em defesa da América do Sul diante da crescente tensão envolvendo os Estados Unidos e a Venezuela. Em declaração feita na noite desta quinta-feira (6), o ex-chanceler e principal conselheiro internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou que a crise representa um risco direto à estabilidade regional.
“Temos que defender a América do Sul. Nós vivemos aqui. O Brasil tem fronteira com dez países. Não estamos discutindo uma coisa distante por razões humanitárias, políticas ou geopolíticas. Estamos discutindo uma coisa na nossa fronteira praticamente. É natural”, disse Amorim, ao comentar a movimentação militar norte-americana próxima ao território venezuelano.
O presidente Lula deve viajar à Colômbia neste sábado (8) para tratar do tema com outros líderes regionais. O encontro antecede a cúpula entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União Europeia, marcada para domingo (9), em Santa Marta.
Segundo fontes do Planalto, Lula pretende reforçar a defesa de uma solução diplomática e a criação de uma mesa de mediação que envolva tanto o governo venezuelano quanto representantes dos Estados Unidos. Durante recente encontro com Donald Trump na Malásia, o petista teria advertido o ex-presidente norte-americano de que “a situação não seria resolvida na bala” e pediu diálogo para evitar um conflito armado.
Trump, no entanto, reagiu de forma fria e afirmou não ter interesse em discutir o tema, delegando o assunto ao secretário de Estado, Marco Rubio. O republicano apontou preocupações com o tráfico de drogas e a imigração ilegal, que, segundo ele, seriam estimulados pelo regime de Nicolás Maduro.
Integrantes do governo brasileiro temem que o impasse contamine as negociações comerciais entre Brasília e Washington, especialmente nas tratativas sobre tarifas que devem ser retomadas no próximo dia 11, durante o encontro entre Rubio e o chanceler Mauro Vieira, no Canadá. Vieira afirmou que a reunião na Colômbia servirá para demonstrar “solidariedade e apoio à Venezuela” em meio à escalada das tensões.
*Com informações da Agência AE
