Durante o primeiro dia de agendas na COP30, a Prefeitura do Recife firmou uma parceria inédita com o Ministério da Justiça e Segurança Pública para intensificar o monitoramento de áreas verdes e o combate a crimes ambientais. O acordo foi assinado em Belém, durante uma reunião entre o prefeito João Campos e o ministro Ricardo Lewandowski, e garante à capital pernambucana o acesso ao programa Brasil Mais, que disponibiliza gratuitamente imagens de satélite de alta resolução utilizadas pela Polícia Federal (PF).
Até então, o Recife utilizava imagens abertas da NASA, com resolução máxima de dez metros e atualizações quinzenais. Com o novo sistema, o monitoramento passará a ser feito diariamente e com resolução de até cinco metros, permitindo identificar com rapidez alterações na vegetação. A Prefeitura já iniciou tratativas para, futuramente, ter acesso a imagens com qualidade ainda superior.
Além do acompanhamento por satélite, a tecnologia permitirá emitir alertas automáticos para crimes ambientais como desmatamento, garimpo, incêndios e cultivo de plantas ilícitas. As informações em tempo real vão possibilitar uma resposta imediata das equipes de fiscalização e reforçar a política de tolerância zero a crimes ambientais adotada pela gestão municipal.
“O Recife está dando um passo importante na proteção do meio ambiente. Já estamos executando o maior programa de macrodrenagem da história da cidade e, agora, com as imagens da Polícia Federal, vamos detectar alterações na cobertura vegetal de forma imediata e reduzir o espaço para atividades ilegais”, afirmou João Campos.
A medida integra o programa Nenhum Verde a Menos, lançado por Campos durante o evento climático. O projeto visa preservar as áreas verdes da Bacia do Rio Tejipió com ações integradas entre órgãos de fiscalização, forças de segurança e comunidades locais.
Como parte da estratégia, a Prefeitura criou a Secretaria Executiva de Controle Ambiental e Fiscalização (Secaf), vinculada à Secretaria de Ordem Pública e Segurança (Seops), para atuar junto ao Ministério Público, à Secretaria de Meio Ambiente e à Defesa Civil na preservação permanente das áreas verdes.
O reforço na fiscalização complementa outras obras de infraestrutura ambiental, como a dragagem do Rio Tejipió, que ampliou a largura do rio de seis para 17,3 metros e aumentou a profundidade média para 1,9 metro. Essas intervenções fazem parte do Programa de Requalificação e Resiliência Urbana em Áreas de Vulnerabilidade Socioambiental (ProMorar Recife), que soma R$ 500 milhões em investimentos e inclui obras como o Parque Alagável do Campo do Sena e a instalação de reservatórios subterrâneos na Imbiribeira para mitigar alagamentos históricos na região.
