O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Luciano Zucco (PL-RS), afirmou nesta terça-feira (11) que a anistia aos condenados por envolvimento nos atos de 8 de janeiro deve ser votada até o fim de 2025. Segundo o parlamentar, há um compromisso firmado com a Presidência da Casa para que o tema entre na pauta ainda neste ano.
– Estamos conversando com o presidente Hugo Motta. Ele sabe que é importante a gente virar essa página – declarou Zucco, em entrevista à CNN Brasil.
De acordo com o deputado, “há um compromisso dado” para a votação, e o atraso preocupa pela situação dos detidos.
– A cada minuto que estamos aqui, tem pessoas presas junto com traficantes e homicidas. Então entendemos que temos que avançar – afirmou.
O projeto, de autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), teve o requerimento de urgência aprovado em setembro e foi encaminhado para o relator Paulinho da Força (Solidariedade-SP). Desde então, o texto perdeu tração política por falta de consenso entre as bancadas.
Paulinho se reuniu com lideranças partidárias, familiares dos presos e o ex-presidente Michel Temer (MDB) para construir o relatório. No entanto, a resistência de setores da base governista e as divergências internas sobre a amplitude da anistia travaram o avanço.
O texto original prevê o perdão total aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 — o que poderia alcançar também o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.
Já a versão elaborada por Paulinho da Força propõe uma alternativa mais restrita, descartando a “anistia ampla, geral e irrestrita” defendida pela oposição. Segundo ele, a proposta permitiria apenas uma redução de pena, que, no caso de Bolsonaro, ficaria entre sete e 11 anos de prisão.
Entre os aliados do ex-presidente, há pressão para que o texto retorne à versão original, enquanto parlamentares mais moderados temem que a iniciativa siga o mesmo destino da PEC da Blindagem, aprovada na Câmara, mas barrada no Senado.
Mesmo com as divergências, Zucco mantém o tom otimista: “O presidente Hugo Motta se comprometeu, e nós vamos lutar para que essa votação aconteça ainda neste ano. É uma questão de justiça e de pacificação nacional”, afirmou.
*Com informações da Agência AE
