As autoridades chinesas determinaram, nesta terça-feira (11), a retirada dos aplicativos de namoro Blued e Finka — os mais populares entre o público gay no país — das lojas da Apple e Android. A medida, que já está em vigor, acendeu o alerta para um possível novo endurecimento da repressão contra a comunidade LGBT na China.
Usuários que já possuem os aplicativos instalados ainda conseguem utilizá-los normalmente, mas novos downloads só podem ser feitos pelos sites oficiais das plataformas. Até o momento, nem o Blued nem o Finka se manifestaram publicamente sobre a decisão.
Em nota à revista Wired, a Apple confirmou que removeu os aplicativos de seu catálogo chinês “com base em uma ordem da Administração do Ciberespaço da China”. A empresa destacou que cumpre rigorosamente as leis e regulações locais de todos os países onde atua.
Lançado em 2012, o Blued é considerado o maior aplicativo de namoro gay da China, com mais de 40 milhões de usuários no mundo. Em 2020, a empresa adquiriu o Finka, voltado especialmente ao público jovem.
Apesar de a homossexualidade não ser crime na China desde 1997, manifestações públicas de identidade e ativismo LGBT enfrentam cada vez mais restrições. Nos últimos anos, autoridades chinesas fecharam grupos de apoio e eventos de diversidade, como o Shanghai Pride, encerrado em 2020.
Casos de censura cultural também se tornaram recorrentes. Filmes estrangeiros com personagens gays, por exemplo, foram alterados para exibir relacionamentos heterossexuais, em uma tentativa de adequar o conteúdo às diretrizes do governo.
A decisão de remover os aplicativos reforça o controle estatal sobre plataformas digitais e expõe o crescente cerco à visibilidade LGBT em um dos maiores mercados tecnológicos do mundo.
*Com informações do Pleno News
