Em mais uma medida controversa, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que embaixadas e consulados norte-americanos passem a negar vistos a pessoas com doenças crônicas — incluindo obesidade, diabetes e hipertensão. A diretriz, revelada nesta terça-feira (11) pela agência Associated Press, foi emitida na última semana e reforça o endurecimento das políticas de imigração adotadas pelo governo republicano.
O documento, enviado pelo Departamento de Estado, orienta que estrangeiros considerados com alto risco de depender de assistência pública sejam impedidos de entrar no país. A justificativa oficial é “proteger o contribuinte americano” de eventuais custos médicos de imigrantes que possam recorrer a benefícios do governo.
Até então, os solicitantes de visto já eram obrigados a fornecer informações sobre seu histórico médico, incluindo doenças transmissíveis, uso de drogas e determinadas condições mentais. A nova orientação, no entanto, amplia significativamente o escopo das restrições, incluindo condições não contagiosas e altamente prevalentes na população mundial, como obesidade e depressão.
Segundo fontes da própria administração, a diretriz deve se aplicar principalmente aos vistos de residência permanente, e não aos de curta duração. Mesmo assim, especialistas e grupos de direitos humanos alertam que a medida abre precedentes perigosos, podendo institucionalizar a discriminação por condição de saúde e reforçar estigmas contra pessoas com sobrepeso e transtornos mentais.
Tommy Piggot, porta-voz adjunto do Departamento de Estado, confirmou a autenticidade do documento e defendeu a decisão, afirmando que “não é segredo que a administração de Trump está colocando os americanos em primeiro lugar”. Para ele, o novo critério de triagem garante que “o sistema de imigração não se torne um fardo para o contribuinte americano”.
A iniciativa gerou forte reação de entidades médicas e organizações de direitos civis, que classificaram a política como “cruel” e “anticientífica”. Pesquisadores destacam que a obesidade e as doenças metabólicas são influenciadas por fatores genéticos, sociais e econômicos, e que medidas como essa apenas ampliam desigualdades.
*Com informações do Pleno News
Foto: EFE/EPA/SHAWN THEW
