A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que o Complexo Penitenciário da Papuda não reúne as condições necessárias para receber o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Segundo ela, a estrutura do presídio é inadequada diante da idade e das restrições médicas do ex-mandatário.
Em entrevista ao SBT News, Celina destacou que Bolsonaro precisa de cuidados especiais e de uma alimentação adaptada em razão das cirurgias pelas quais passou. “Ele precisa de uma dieta específica, tem idade avançada e trata-se de um ex-presidente. Se for bem cuidado, pode ter uma vida longa, mas não temos como preparar a comida especial que ele necessita. Mesmo nas áreas isoladas, as condições não são adequadas para alguém com o histórico dele”, afirmou.
O governador Ibaneis Rocha (MDB), porém, tem uma visão diferente. Ele defendeu que a Papuda possui “condições físicas” para receber o ex-presidente, embora tenha ressaltado que a decisão final caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Quem decide é o Supremo. A Seape apenas cumpre. Conheço a estrutura do presídio, e há condições físicas. Mas não sei sobre a saúde do ex-presidente, não tenho contato com ele e não saberia dizer se suportaria a alimentação e o ambiente do local”, declarou ao portal Metrópoles.
Apesar de divergirem publicamente sobre o assunto, ambos mantêm laços políticos com o entorno de Bolsonaro. Ibaneis o apoiou no segundo turno das eleições de 2022, e Michelle Bolsonaro já manifestou apoio a Celina para disputar o governo do DF em 2026. O governador, por sua vez, cogita formar uma chapa com a ex-primeira-dama na corrida pelo Senado no próximo ano.
Enquanto o impasse segue, a expectativa é que Bolsonaro inicie o cumprimento da pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, conhecido como “Papudinha” — uma ala anexa ao complexo da Papuda, mas reservada para militares e autoridades. A decisão ficará nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
A “Papudinha” já recebeu nomes de destaque da política e da segurança pública, como o ex-ministro Anderson Torres, o ex-vice-governador Benedito Domingos e o ex-secretário de Saúde Francisco Araújo. O local também abrigou, recentemente, oficiais da Polícia Militar do DF acusados de omissão durante os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Com o cenário ainda indefinido, o destino de Bolsonaro se tornou mais um ponto sensível de tensão política e jurídica em Brasília.
