O presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deputado Álvaro Porto (PSDB), fez duras críticas ao Governo do Estado ao afirmar que o cenário divulgado pela gestão Raquel Lyra (PSD) sobre a segurança pública é “tão artificial que nem a própria governadora acredita nele”. O parlamentar destacou que, após quase três anos de administração, a própria chefe do Executivo afirmou recentemente estar “assumindo a segurança pública”, declaração que ele classificou como uma confissão de falta de compromisso com o tema.
Porto apresentou números que, segundo ele, desmontam a narrativa oficial. De acordo com o deputado, mais de 9.570 assassinatos ocorreram ao longo dos três anos e dez meses de gestão, e apenas em 2025 já são mais de 2.700 homicídios, cenário que aponta para um agravamento da violência. O parlamentar também citou dados do Instituto Fogo Cruzado, que colocaram Pernambuco no topo do ranking nacional de feminicídios e tentativas de feminicídio com arma de fogo entre janeiro e agosto deste ano, com 60 casos registrados, um aumento de 20% em relação ao mesmo período de 2024.
No campo da violência contra a mulher, Porto enfatizou a fragilidade das políticas públicas estaduais. Mesmo com 184 municípios, Pernambuco conta apenas com 15 Delegacias da Mulher, sendo apenas sete em funcionamento 24 horas. Ele apontou ainda que o estado registra uma média de 3.450 casos de violência doméstica por mês, o equivalente a 115 por dia, número que considera alarmante diante dos recursos disponíveis.
O deputado questionou como, mesmo após o investimento de R$ 62 milhões do Fundo Nacional de Segurança Pública somente em 2024, a população continua exposta a crescentes índices de criminalidade. Para ele, a estrutura de gestão da segurança reforça a ineficiência e alimenta o colapso do sistema.
Porto também mencionou o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, segundo o qual Pernambuco lidera o ranking nacional de vítimas de homicídios dolosos, com 35,1 mortes por 100 mil habitantes — mais que o dobro da média nacional de 17,1. O estado também passou a ocupar o segundo lugar no ranking de roubos a estabelecimentos comerciais, com aumento de 19,6% nesse tipo de crime, enquanto o restante do país registrou queda de 24,4%.
Para o parlamentar, o governo tem priorizado “espetacularização” e marketing, citando cerimônias e anúncios públicos, enquanto falham os resultados concretos. Ele criticou ainda o relato de policiais civis que denunciam condições precárias de trabalho, delegacias deterioradas e a falta de instrumentos para registro de crimes — o que, segundo ele, coloca em xeque a confiabilidade dos dados oficiais.
Porto destacou que o programa estadual Juntos pela Segurança não tem produzido mudanças efetivas e classificou o atual momento como um dos mais graves da história recente do estado. “Enquanto isso, os pernambucanos continuam reféns da violência e do medo, que afetam hábitos, relações, a saúde mental e, mais grave: tiram o direito à vida”, concluiu.
