O governo de Israel aprovou neste domingo (23) a imigração de cerca de 5.800 membros da comunidade Bnei Menashe, um grupo de judeus originários do nordeste da Índia, que deverá se estabelecer progressivamente na região da Galileia até 2030. A decisão, celebrada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, foi firmada em coordenação com o governo indiano.
Para Netanyahu, a medida representa um gesto estratégico e ideológico. “É uma decisão importante e sionista que também conduzirá ao fortalecimento do norte e da Galileia”, afirmou o premiê em comunicado oficial. A primeira leva, prevista para o próximo ano, contará com 1.200 imigrantes.
O projeto foi elaborado pelo escritório do primeiro-ministro em conjunto com o Ministério de Aliá e Integração, responsável por facilitar a chegada e a adaptação de novos imigrantes judeus — conhecidos como olim. Esse processo inclui apoio financeiro inicial, moradia temporária, cursos de hebraico, orientação profissional e programas sociais. Apenas para a absorção da primeira onda, o governo israelense estima investimentos equivalentes a R$ 145 milhões.
A migração dos Bnei Menashe segue um movimento iniciado há cerca de duas décadas, quando cerca de quatro mil integrantes da comunidade já haviam se estabelecido no país. Os novos imigrantes são provenientes principalmente dos estados indianos de Mizoram e Manipur, regiões montanhosas onde, apesar da distância geográfica, preservaram ao longo de gerações práticas religiosas que remontam ao judaísmo tradicional.
A Galileia, destino escolhido para o assentamento, é uma área de forte importância histórica e religiosa. Com cidades emblemáticas como Nazaré e Safed, a região é citada repetidamente em textos bíblicos e possui relevância estratégica por fazer fronteira com o Líbano ao norte e com o Vale do Jordão ao leste.
Os Bnei Menashe afirmam descender da tribo bíblica de Manassés, uma das chamadas “tribos perdidas de Israel”. Muitos membros da comunidade, antes cristãos, retornaram ao judaísmo e foram reconhecidos pelo Grande Rabinato. Entre suas tradições mantidas, destacam-se a observância do sabbat, a celebração de festividades como o Sucot e regras de pureza familiar.
Com a decisão, Israel avança em seu projeto demográfico e simbólico de reforçar a presença judaica na Galileia, ao mesmo tempo em que amplia a integração de comunidades que reivindicam raízes ancestrais profundas com a história do povo hebreu.
*Com informações da Agência EFE
