A crise judicial de Nicolas Sarkozy ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (26), quando a Corte de Cassação da França confirmou a condenação do ex-presidente por se beneficiar de um esquema de financiamento ilegal durante sua campanha à reeleição em 2012. A decisão, definitiva, mantém a pena de 12 meses de prisão — sendo seis meses de cumprimento obrigatório — aplicada em fevereiro deste ano.
A acusação apontou que a campanha de Sarkozy ultrapassou quase duas vezes o limite legal de gastos, fixado em 22,5 milhões de euros. Para mascarar o excesso, foi montado um sistema de “dupla fatura”, no qual parte dos custos dos comícios era desviada para o antigo partido conservador UMP, sob a justificativa de eventos fictícios. O mecanismo ficou conhecido como caso Bygmalion.
Apesar das conclusões da investigação, Sarkozy sempre negou envolvimento direto e rejeitou qualquer responsabilidade penal. Mesmo assim, a Justiça manteve a condenação, ainda que com uma pena menor que a definida na primeira instância, em 2021, quando ele havia sido sentenciado a um ano de prisão em regime fechado. O tribunal autorizou que a pena seja cumprida em casa, com uso de tornozeleira eletrônica — algo que Sarkozy já experimentou entre fevereiro e maio deste ano devido a outro processo.
A decisão representa a segunda condenação definitiva do ex-presidente francês, que governou o país entre 2007 e 2012. A primeira ocorreu no caso das escutas telefônicas, no qual ele também foi considerado culpado. E a lista de pendências judiciais continua a se expandir.
Entre março e junho do próximo ano, Sarkozy será julgado novamente, desta vez em apelação, por suspeita de financiamento ilegal em sua campanha presidencial de 2007. Esse caso se tornou ainda mais controverso após a Justiça francesa condená-lo, em setembro, a cinco anos de prisão — três deles em regime fechado — por ter permitido que aliados se aproximassem do regime líbio de Muammar Gaddafi para obter recursos clandestinos que teriam impulsionado sua chegada ao poder.
Sarkozy chegou a cumprir 20 dias na prisão de la Santé, em Paris, entre outubro e novembro, após a ordem de execução imediata da pena, antes de conseguir liberdade condicional. A experiência, inédita para um ex-chefe de Estado francês desde a Segunda Guerra Mundial, será relatada em um livro que o político pretende lançar no dia 10 de dezembro.
Com condenações acumuladas e novos julgamentos no horizonte, a trajetória de Sarkozy segue marcada por um enredo judicial que parece longe de terminar.
