A Comissão Europeia abriu uma nova frente de pressão contra a Shein após a revelação de que a plataforma comercializou bonecas sexuais com aparência infantil e armas proibidas em países da União Europeia. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (26), quando o órgão europeu informou ter solicitado formalmente uma série de esclarecimentos à empresa.
Em comunicado, a Comissão afirmou suspeitar que a plataforma representa um “risco sistêmico” para consumidores em todo o bloco. Segundo Bruxelas, o pedido feito à Shein exige informações detalhadas — acompanhadas de documentos internos — sobre como a empresa protege menores de idade contra conteúdos impróprios e quais mecanismos adota para impedir a circulação de produtos ilegais em seu sistema de vendas.
As solicitações foram apresentadas com base na Lei dos Serviços Digitais (DSA), legislação que responsabiliza as grandes plataformas online — categoria na qual a Shein está incluída — a adotar medidas reforçadas de segurança, transparência e moderação de conteúdo.
O caso ganhou força no fim de outubro, quando autoridades francesas descobriram que itens extremamente sensíveis, como bonecas sexuais infantis e armas da categoria A, estavam disponíveis para compra no site. Desde então, o governo da França iniciou uma série de ações judiciais pedindo a suspensão da plataforma por pelo menos três meses e cobrou uma resposta firme da União Europeia.
A pressão política também aumentou. Nesta quarta-feira, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução — ainda que não vinculativa — defendendo que suspensões de marketplaces que violem gravemente a legislação europeia deixem de ser consideradas medidas extremas e passem a ser aplicadas com mais agilidade.
O caso coloca a Shein no centro de um dos maiores debates recentes sobre segurança digital e responsabilidade de plataformas globais. A resposta da empresa e as medidas que poderá ser obrigada a adotar nas próximas semanas tendem a definir os rumos de sua permanência — ou possível suspensão — dentro do mercado europeu.
