A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, se reuniu na tarde desta quarta-feira (26) com o presidente da Câmara, Hugo Motta, em um movimento para conter o avanço da crise entre o governo Lula e a cúpula do Congresso Nacional. O encontro ocorreu na residência oficial da Câmara após uma série de sinais públicos de desgaste entre Executivo e Legislativo.
Pela manhã, Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não compareceram ao evento de sanção da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda — ausências interpretadas por aliados como um recado político e parte do estremecimento nas relações com o Planalto.
Segundo interlocutores ouvidos pelo G1, a conversa entre Gleisi e Motta foi “positiva”, embora sem avanços concretos. A avaliação é de que o encontro abriu uma nova via de diálogo, após dias marcados por tensões crescentes entre o governo e o comando da Câmara.
A reunião também acontece no meio de um segundo foco de crise: o rompimento declarado entre Hugo Motta e o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Motta afirmou que não manterá qualquer relação com Lindbergh. O petista reagiu dizendo que o presidente da Câmara tem adotado postura “imatura” e equivocada.
O atrito se intensificou durante as discussões do chamado “PL Antifacção”. O clima na sessão teria ficado tenso, com troca de acusações e protestos de Lindbergh, o que levou Motta a endurecer o tom e a acusar o petista de atacar a Câmara.
Em meio ao acirramento político, a movimentação de Gleisi é vista dentro do governo como tentativa de reconstruir pontes e reduzir o impacto da crise institucional em votações decisivas previstas para as próximas semanas.
