O Superior Tribunal de Justiça encerrou nesta sexta-feira (28) uma das disputas mais controversas derivadas do atentado a faca contra Jair Bolsonaro em 2018. O tribunal arquivou o recurso do Conselho Federal da OAB que contestava a quebra de sigilo bancário de Zanone Manuel de Oliveira Júnior, advogado que integrou a defesa de Adélio Bispo. O motivo: o inquérito que justificava o pedido havia sido oficialmente encerrado, tornando o processo sem utilidade prática.
A medida já tinha sido incluída na pauta da 5ª Turma do STJ, mas sucessivos adiamentos — incluindo a ausência do relator — levaram ao seu esvaziamento. Sem investigação ativa, o ministro Joel Ilan Paciornik reconheceu a perda de objeto e retirou o tema de vez da agenda.
A origem dos honorários pagos aos defensores de Adélio sempre esteve cercada de controvérsias. Inicialmente, afirmou-se que um fiel das Testemunhas de Jeová teria contratado os advogados, versão posteriormente desmentida pela própria instituição. Zanone declarou à Polícia Federal que aceitou o caso buscando projeção profissional e reduziu seu valor para R$ 25 mil, dos quais só R$ 5 mil teriam sido pagos antes do desaparecimento do contratante.
Nos anos seguintes, novas suspeitas surgiram. Em 2023, a PF mencionou possíveis vínculos com o PCC, citando pagamentos de R$ 315 mil à empresa do advogado Fernando Magalhães e a existência de um grupo chamado “Adélio PCC” no WeChat. Contudo, a corporação concluiu em 2024 que não havia provas de financiamento da facção.
O recurso da OAB se dirigia à decisão que autorizou a quebra de sigilo de Zanone entre setembro e dezembro de 2018, defendendo violação das prerrogativas da advocacia. Após mudanças de posicionamento até mesmo do Ministério Público Federal, o caso chega ao fim sem análise do mérito: com o inquérito encerrado, o STJ decidiu fechar definitivamente o processo.
*Com informações do Pleno News
