A cantora Sabrina Carpenter tornou-se protagonista de um debate político explosivo após reagir publicamente a um vídeo divulgado pela Casa Branca que utilizava sua música “Juno” para ilustrar prisões de imigrantes realizadas pela ICE, agência de controle migratório dos Estados Unidos. O conteúdo, publicado nas redes oficiais do governo, mostrava cenas de detenções acompanhadas do trecho “Have you ever tried this one?” — finalizado com a legenda “Bye-bye”, em tom de deboche.
A peça de comunicação gerou indignação imediata entre fãs, ativistas e especialistas em direitos humanos, que criticaram a tentativa de transformar operações de deportação em espetáculo político. Carpenter, impactada com a repercussão, foi direta e enfática ao rechaçar o uso de sua música:
— Esse vídeo é perverso e repugnante. Nunca me envolva, nem à minha música, para beneficiar sua agenda desumana.
A declaração da artista vai além da defesa pessoal de sua obra. Em suas turnês, “Juno” ganhou destaque justamente por uma performance leve e bem-humorada, em que Carpenter simulava “prender” alguém da plateia — às vezes celebridades como Anne Hathaway e Nicole Kidman — por serem “sexy demais”, usando algemas de plumas rosa. O contraste entre a brincadeira cênica e a violência real das cenas de deportação foi apontado por fãs como um dos aspectos mais perturbadores da apropriação feita pelo governo.
Críticos também destacam que este é mais um caso de artistas se revoltando com o uso político de suas músicas sem autorização — prática recorrente em campanhas institucionais e eleitorais nos Estados Unidos, frequentemente alvo de disputas legais e éticas. O episódio reacende discussões sobre os limites do uso de obras artísticas por governos, especialmente quando aplicadas a temas sensíveis como imigração, violência estatal e direitos humanos.
A polêmica, que rapidamente se espalhou pelas redes e pela imprensa internacional, expõe não apenas o impacto simbólico da música pop na narrativa política, mas também a crescente cobrança por responsabilidade ética no uso de produtos culturais por instituições públicas. Para muitos, a mensagem é clara: arte não deve ser instrumentalizada para suavizar ou justificar políticas que afetam vidas de forma tão profunda.
