A líder da direita francesa, Marine Le Pen, declarou nesta terça-feira (2) que pretende concorrer à Presidência da França nas eleições de 2027 — desde que a Justiça não a impeça. Em entrevista à emissora BFMTV, Le Pen afirmou que, caso vença, seu sucessor político e atual presidente do Reagrupamento Nacional (RN), Jordan Bardella, assumirá o cargo de primeiro-ministro.
“Se eu puder ser candidata, serei, e ele será meu primeiro-ministro; se eu não puder ser candidata, ele será”, disse, destacando que a estratégia eleitoral já está definida independentemente do cenário jurídico.
A afirmação ocorre após a divulgação de uma pesquisa do instituto Ifop-Fiducial, publicada pelo Le Figaro e pela Sud Radio, mostrando que Bardella aparece como o nome mais bem avaliado entre os entrevistados, com 44% de apoio, enquanto Le Pen marca 40%. A dirigente comemorou o resultado: “Só posso me felicitar pela confiança dos franceses em Jordan Bardella ser tão sólida”.
Durante a entrevista, Le Pen criticou o que chamou de tentativa das elites de impor suas preferências políticas, afirmando que isso “não funciona” com ela e Bardella. “Somos Jordan e eu que decidimos”, rebateu a líder, frequentemente descrita pela mídia francesa como ultradireitista.
Le Pen enfrenta um processo em apelação entre 13 de janeiro e 12 de fevereiro, no qual a Justiça decidirá se mantém sua condenação por desvio de fundos públicos do Parlamento Europeu. A sentença emitida em setembro prevê cinco anos de inabilitação com execução imediata e quatro anos de prisão — três dos quais poderiam ser cumpridos com tornozeleira eletrônica.
A dirigente do RN afirmou que vai ao Tribunal de Apelação de Paris para “defender [sua] inocência e o direito dos franceses de poderem votar em quem quiserem”. Ela rejeitou qualquer insinuação de desânimo diante da possibilidade de inelegibilidade. “Fui enterrada dez vezes na minha carreira, mas o desânimo não faz parte dos meus defeitos”, disse. “Na política é preciso ser combativo e perseverante.”
*Com informações da Agência EFE
