O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta terça-feira (2) que o Pentágono retomará os ataques contra “narcolanchas” no Caribe e no Pacífico, mesmo em meio às crescentes críticas e à pressão do Congresso após denúncias de que sobreviventes de um bombardeio anterior teriam sido executados pelas Forças Armadas. A declaração foi feita durante reunião do gabinete do presidente Donald Trump, na Casa Branca.
“Mal começamos a atacar barcos de narcotraficantes e a jogar narcoterroristas no fundo do oceano, porque eles têm envenenado o povo americano”, disse Hegseth, defendendo a ofensiva que os EUA classificam como parte de sua guerra contra organizações ligadas ao tráfico internacional de drogas.
Segundo o secretário, os ataques foram temporariamente suspensos porque ficou mais difícil localizar embarcações criminosas, mas o governo pretende ampliar a estratégia, que ele descreveu como essencial para dissuadir cartéis e facções, como o Tren de Aragua e o Cartel de los Soles — ambos de origem venezuelana e rotulados pela Casa Branca como grupos terroristas.
O próprio presidente Trump afirmou durante a reunião que o volume de drogas entrando pelos mares “diminuiu 91%”, atribuindo o resultado às operações militares no Caribe. Hegseth reforçou que o objetivo central da ofensiva é justamente causar impacto preventivo contra os grupos que, segundo ele, inundam os EUA com cocaína e fentanil.
Desde o início das ações, o Pentágono conduziu 21 bombardeios, que resultaram na morte de 82 tripulantes de embarcações suspeitas. Mas a operação se tornou alvo de polêmica após reportagem do Washington Post revelar que, após o primeiro ataque de 2 de setembro, um segundo bombardeio teria sido ordenado para matar dois sobreviventes — supostamente a mando do próprio Hegseth. O Congresso prepara uma investigação, diante da possibilidade de crime de guerra.
A Casa Branca confirmou nesta segunda-feira (1º) que o segundo ataque ocorreu, mas afirmou que a ordem partiu de Frank Bradley, então chefe do Comando de Operações Especiais Conjunto. Nesta terça, Hegseth disse confiar em Bradley e reiterou, assim como o Pentágono, que todas as ações foram “completamente legais”.
“Sempre apoiamos nossos comandantes que tomam decisões em situações difíceis e, neste caso e em todos esses ataques, eles estão tomando decisões com critério e se certificando de defender o povo americano”, afirmou o secretário.
Apesar da controvérsia, o governo Trump promete ampliar a ofensiva marítima, indicando que o debate interno sobre sua legalidade não deve frear a escalada militar contra o narcotráfico internacional.