O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endureceu o discurso sobre o combate ao narcotráfico e afirmou nesta terça-feira (2) que está disposto a atacar militarmente “qualquer país” que, segundo ele, permita o envio de drogas para território norte-americano. A declaração foi feita durante reunião em seu gabinete, em Washington, e elevou a temperatura diplomática já acentuada por críticas anteriores à Venezuela.
“Se eles [traficantes] vierem de certo país, ou de qualquer país, ou se nós acharmos que eles estão construindo locais de produção de cocaína ou fentanil, como a Colômbia, que faz muita cocaína… Qualquer um que faça isso e venda no nosso país está sujeito a ataques. Não só a Venezuela. A Venezuela tem sido muito ruim para nós, mandaram assassinos para nosso país, esvaziaram suas cadeias no nosso país. Estamos acabando com isso”, disse Trump a jornalistas.
O republicano afirmou ainda que ofensivas terrestres devem ocorrer “muito em breve”. Segundo ele, ações mais agressivas seriam necessárias para conter a entrada de drogas sintéticas como o fentanil, responsável por mortes por overdose nos EUA. “Vamos fazer por terra também. Vamos atacar muito em breve. E quando começarmos a atacar por terra, os números vão cair muito, e poderemos viver sem medo do filho ou da filha tomar um comprimido e morrer em 60 segundos”, afirmou.
As declarações do presidente norte-americano foram feitas no mesmo dia em que o papa Leão XIV pediu publicamente que Washington evite qualquer caminho militar para tentar derrubar o líder venezuelano Nicolás Maduro. Durante voo de Beirute a Roma, o pontífice defendeu que os EUA busquem diálogo ou pressão econômica, e não intervenção armada.
Trump tem acusado Maduro de liderar o Cartel de los Soles, grupo ligado ao narcotráfico, e vem intensificando operações militares no Mar do Caribe, onde embarcações suspeitas de transporte de drogas têm sido abatidas. Uma ação terrestre na Venezuela, embora não confirmada, não foi descartada pelo governo dos EUA. De acordo com o Miami Herald, Trump teria dado um ultimato para que Maduro deixe o país e vá ao exílio, permitindo a retomada da democracia venezuelana.
Maduro, por sua vez, afirma que o objetivo de Washington é controlar as reservas de petróleo da Venezuela e nega qualquer vínculo com o narcotráfico. O presidente venezuelano voltou a dizer que o poder nacional se sustenta “no povo, em seus fuzis e em sua decisão de construir a pátria acima de qualquer dificuldade”.
As falas de Trump ampliam as tensões já existentes entre os EUA e países latino-americanos e sinalizam a possibilidade de uma escalada militar com repercussões regionais e diplomáticas ainda imprevisíveis.
