Um vasto apagão deixou cerca de 3,5 milhões de cubanos sem energia elétrica nesta quarta-feira (3), afetando inclusive a capital Havana. A informação foi confirmada pelo Ministério de Energia e Minas (Minem), que classificou a falha como uma das maiores dos últimos anos no já fragilizado Sistema Elétrico Nacional (SEN).
A interrupção ocorreu por volta das 5h, no horário local, e atingiu quatro províncias: Pinar del Río, Artemisa, Mayabeque e Havana — esta última, com aproximadamente 2 milhões de habitantes. Segundo explicou Lázaro Guerra, diretor-geral de Eletricidade do Minem, uma avaria em uma linha de transmissão entre duas das principais termelétricas do oeste provocou a desconexão da região inteira.
A falha inicial — entre as centrais Che Guevara e Antonio Guiteras — sobrecarregou a linha restante e partiu o sistema, isolando todo o oeste cubano. Com isso, as usinas de Santa Cruz e Mariel foram paralisadas, enquanto outras duas no centro e no leste do país também se desligaram temporariamente. Quatro das sete centrais termelétricas nacionais ficaram fora de operação ao mesmo tempo.
O ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy, afirmou que os protocolos de recuperação já estão em execução e que parte da energia começou a ser restabelecida. Havana, porém, recebeu apenas 44 megawatts iniciais — muito abaixo da necessidade real da cidade.
O apagão ocorre em meio a dias consecutivos de déficits recordes de geração e após, na última segunda-feira (1º), mais de 60% do país ter ficado simultaneamente sem luz no maior corte registrado desde o início dos relatórios diários.
Cuba enfrenta uma crise energética profunda desde meados de 2024, agravada pelo colapso das termelétricas envelhecidas, falta de recursos para compra de combustível e cinco apagões totais no último ano. A estatal Unión Eléctrica tem informado desconexões frequentes, enquanto especialistas independentes apontam subfinanciamento crônico no setor — totalmente estatal desde 1959.
O governo cubano atribui parte da crise às sanções dos Estados Unidos, que chama de “asfixia energética”, e à queda no envio de combustíveis por aliados como Rússia, Venezuela e México. A situação tem provocado cortes de energia que ultrapassam 20 horas por dia em diversas regiões, aprofundando o descontentamento da população e pressionando uma economia que já encolheu 11% nos últimos cinco anos e segue no vermelho.
