A CPMI do INSS recebeu informações que acirraram ainda mais a crise em torno do esquema comandado por Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Segundo relatos encaminhados ao colegiado, um depoente ouvido pela Polícia Federal afirmou que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teria recebido valores milionários do empresário — hoje preso — e mantido uma sociedade empresarial com ele.
De acordo com apuração divulgada pelo Poder360, o depoente relatou que o filho do presidente Lula teria recebido cerca de 25 milhões — sem especificação da moeda — além de pagamentos mensais de aproximadamente R$ 300 mil. A duração desses repasses, porém, não foi detalhada.
Segundo o depoimento, Lulinha também teria viajado com o Careca do INSS para Portugal. Investigadores suspeitam que a relação entre os dois envolva a empresa World Cannabis, que atua no Brasil, Portugal, Estados Unidos e Colômbia, e vende cannabis medicinal produzida em território português. Há suspeitas de que a empresa tenha sido usada para lavagem de dinheiro oriundo de descontos ilegais aplicados em benefícios de aposentados e pensionistas.
As informações foram prestadas à CPMI por Edson Claro, ex-funcionário do Careca do INSS, que afirma ter sido ameaçado pelo antigo chefe. Ele disse ainda que o nome de Lulinha era frequentemente mencionado em situações nas quais poderia ajudar acusados a fraudar o INSS.
A Polícia Federal está dividida sobre como avançar com o caso: uma ala defende acelerar a apuração sobre eventual participação de Lulinha; outra sustenta que, no meio político, é comum que pessoas usem indevidamente nomes influentes para obter vantagens, sem que haja vínculo real.
Em outubro, a CPMI tentou convocar Edson Claro para depor, mas a base governista barrou a iniciativa. Lulinha, atualmente vivendo na Espanha, não respondeu às tentativas de contato feitas pelo Poder360 por meio de seu ex-advogado, Marco Aurélio Carvalho.
— Não consegui falar com Fábio, talvez pelo fuso horário. Mas considero essa acusação absolutamente pirotécnica e improvável. É mais uma tentativa de desgastar a imagem de Fábio Luís — declarou Carvalho.
Enquanto a CPMI aguarda novos documentos e análises da PF, cresce a pressão sobre o governo e sobre os investigadores para esclarecer o possível envolvimento do filho do presidente no esquema que desviou milhões de aposentados e pensionistas.
*Com informações do Poder360
