O clima político em Pernambuco ganhou um novo capítulo após declarações contundentes do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Álvaro Porto (PSDB). Durante a confraternização anual promovida pelo deputado Francismar Pontes (PSB), Porto voltou a responsabilizar a governadora Raquel Lyra (PSD) pelo desgaste na relação entre ambos — um afastamento que, segundo ele, começou ainda na disputa pela presidência da Alepe.
Porto relembrou que, em 2022, foi o único deputado de mandato a apoiar as candidaturas de Raquel Lyra e Priscila Krause, mas que, apesar disso, a aproximação não resistiu aos movimentos da governadora nos bastidores. Ele citou, como marco da ruptura, a articulação dela em favor do nome de Antônio Moraes (PP) para comandar a Assembleia, gesto que contrariou o grupo que havia lhe dado sustentação na eleição.
Em conversa com jornalistas, o deputado reforçou o arrependimento declarado no dia anterior, durante agenda pública em Cupira, quando afirmou ter se equivocado ao apoiá-la na eleição.
“Eu tenho que justificar ao povo de Pernambuco que não acompanho mais a governadora, porque não fui eu quem se afastou. Foi ela quem se afastou não só de mim, mas de todo o grupo que esteve com ela desde o começo. Eu venho pedindo desculpas aos pernambucanos por esse erro. Acreditei onde não deveria. Mas ninguém é obrigado a permanecer no erro. Hoje acompanho João Campos e tenho certeza de que será o futuro governador de Pernambuco”, desabafou.
A crise entre os aliados históricos não se limita às declarações públicas. Ela já afeta diretamente o andamento de pautas importantes na Alepe. A Lei Orçamentária Anual de 2026, ainda parada nas comissões, pode ficar para fevereiro caso não seja analisada a tempo — o que obrigaria o Estado a seguir, temporariamente, com o orçamento atual.
Além disso, os projetos enviados pela governadora no último dia do prazo de 2025 também devem ser empurrados para o próximo ano, segundo Porto.
“A pauta da Assembleia segue sendo tocada com responsabilidade. Mas, como os projetos chegaram com atraso, dificilmente serão votados este ano. Se a LOA vier em tempo hábil, colocamos para votar. Se não, fica para fevereiro”, afirmou.
Mais cedo, durante agenda no Morro da Conceição, Raquel Lyra havia reforçado a urgência na aprovação do empréstimo de R$ 1,7 bilhão enviado ao Legislativo meses atrás — tema que se tornou motivo de tensão desde que o governo orientou a base a votar contra o reajuste das emendas parlamentares para 2027.
Questionado sobre o assunto, Porto subiu o tom e cobrou respeito à autonomia da Casa.
“Esperamos que a governadora pare de querer interferir nos trabalhos da Assembleia. Os projetos que estão na Casa são da Casa. Não vou admitir chantagem de ninguém. O clima natalino é bom, mas os trabalhos continuam firmes”, concluiu.
O embate expõe um racha que, antes restrito aos bastidores, agora se torna público e promete repercussões no cenário político de 2025 — especialmente entre antigos aliados que hoje caminham em direções opostas.