As declarações do vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, sobre segurança pública reacenderam tensões internas e provocaram um pedido formal de expulsão do dirigente. A crise ganhou força após o sociólogo Benedito Mariano — coordenador do programa de segurança da campanha de Lula em 2022 — afirmar que Quaquá deveria ser retirado da legenda por endossar a megaoperação policial que deixou mais de 120 mortos no Rio de Janeiro.
Para Benedito, as falas do prefeito destoam completamente do posicionamento histórico do partido e se alinham a discursos que ele classifica como pertencentes à “extrema-direita”.
“A fala do prefeito Quaquá defendendo uma operação desastrosa e irresponsável vai na contramão do que o PT propõe. Ele repete a mesma narrativa da extrema direita”, declarou à Folha de S.Paulo. O sociólogo afirma ainda que, caso Quaquá permaneça no partido, será apenas “por pragmatismo eleitoral”.
As declarações que motivaram a reação ocorreram durante um seminário do PT nos dias 1º e 2 de dezembro. No evento, Quaquá afirmou que a polícia “só matou vagabundo” e que, se fosse realmente para enfrentar o tráfico, “tinha que ter eliminado mil” criminosos. Segundo ele, a operação foi “malsucedida” não pelo número de mortes, mas porque entrou no território sem ocupá-lo.
Em sua fala, defendeu o que chamou de “ocupação democrática do território”, que, segundo ele, deve ser garantida pelas forças do Estado por meio de “combate militar”.
O prefeito já havia demonstrado apoio à operação nas redes sociais, alegando que “ninguém enfrenta fuzil com beijinho” e que quem morreu armado “morreu em guerra”.
A Operação Contenção, considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro, terminou com 122 mortos — entre eles cinco policiais — e 113 prisões, além da apreensão de mais de cem armas. As autoridades apontam que a maior parte dos mortos tinha envolvimento com o Comando Vermelho (CV).
As declarações de Quaquá colocam o PT diante de um dilema público e político: manter um dirigente influente que se distancia das diretrizes partidárias ou abrir um processo que pode aprofundar fissuras internas. O tema promete dominar os próximos debates da legenda e expor, mais uma vez, as disputas sobre o futuro da política de segurança defendida pelo partido.
