A política de Goiana voltou a ferver — e, desta vez, com ingredientes suficientes para incendiar a já tradicional guerra fria entre o campo de Raquel Lyra e o de João Campos. O que antes era uma aliança sólida entre o prefeito Marcilio Régio e o ex-prefeito Eduardo Honório agora parece se transformar numa estrada esburacada, cheia de desvios, recados indiretos e um possível rompimento anunciado para 2026.
Eduardo Honório, que até pouco tempo era apresentado como aliado forte de Marcilio, resolveu vestir de vez a camisa da governadora Raquel Lyra. Com articulação de Antônio Moraes, Honório assumiu a coordenação de sua campanha em Goiana e já cravou seu palanque federal: Eduardo da Fonte ou Lula da Fonte. O recado político é claro como o sol das praias goianenses: Honório está com Raquel, vai trabalhar por Raquel e será o responsável por fazer o jogo pesado da governadora no município.
Do outro lado da mesa, Marcilio Régio escolheu caminhar por outra estrada — uma que desemboca diretamente no Recife. O prefeito de Goiana fechou com Sileno Guedes para deputado estadual, apoia Guilherme Uchoa para federal e, nos bastidores, já é tratado pelo PSB como “peça-chave” do tabuleiro socialista para 2026. Fontes ouvidas pelo Radar Político andam dizendo que João Campos quer Marcilio coordenando a articulação da Mata Norte em sua pré-campanha ao Governo do Estado.
O movimento criou um ponto de tensão inevitável: de um lado, Honório puxando votos e estruturas para Raquel; do outro, Marcilio montando o palanque de João. E se o prefeito e o ex-prefeito não romperam oficialmente, a convivência política já é, no mínimo, desconfortável.
A grande pergunta que circula nas conversas reservadas é simples, direta e inevitável: Marcilio manterá na prefeitura o grupo político de Honório mesmo sabendo que eles estarão pedindo voto para adversários? Aqui, as respostas variam entre o ceticismo e o sarcasmo. Há quem diga que Marcilio é pragmático demais para expulsar o bloco de Honório agora. Outros arriscam que o prefeito já prepara, discretamente, um rearranjo interno para reduzir a influência do ex-aliado antes do ano eleitoral.
Uma coisa, porém, ninguém nega: Em 2026, tudo indica que os dois estarão em lados opostos da trincheira, cada um operando por um projeto estadual diferente, com ambições próprias e sem espaço para meias palavras.
