O deputado Pedro Campos (PSB-PE) fez um duro pronunciamento no plenário da Câmara nesta quarta-feira, criticando a condução da Polícia Legislativa durante a retirada do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) da cadeira da Presidência da Casa. Para Campos, o episódio, marcado por cenas de truculência e registros amadores, expõe falhas graves no procedimento e exige uma resposta imediata do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Em um discurso firme, o parlamentar afirmou que a violência representa a “falência da política” e destacou a necessidade de que decisões e conflitos internos sejam resolvidos dentro dos ritos regimentais — e não “na força do braço”. Campos reconheceu que a ocupação da Mesa Diretora não é permitida pelo regimento — seja por apoiadores de Bolsonaro em episódios anteriores, seja por qualquer grupo —, mas disse que a forma como a desocupação ocorreu desta vez rompeu padrões mínimos de transparência e respeito institucional.
O deputado lembrou que, em ocasião anterior, quando bolsonaristas ocuparam a Mesa pedindo anistia, houve diálogo, notificação formal, prazo para desocupação e acompanhamento pela imprensa. “O povo brasileiro viu o absurdo que acontecia ali e viu como esta Casa saiu mais forte quando o senhor, Hugo Motta, sentou-se à Mesa”, afirmou.
Desta vez, segundo ele, nada disso ocorreu.
Campos criticou a ausência de registro oficial do procedimento, a falta de aviso prévio para que o deputado desocupasse a cadeira e, sobretudo, a restrição à cobertura da imprensa, que impediu que a população assistisse aos fatos pela TV Câmara. As únicas imagens disponíveis são vídeos gravados por celulares de parlamentares presentes.
“Infelizmente, a vergonha que esta Casa passou hoje só está filmada em registro de celular”, lamentou. Ele ainda questionou se houve ordem direta da Presidência para a ação da Polícia Legislativa e pediu que Hugo Motta esclareça quem determinou a intervenção, como ela foi autorizada e por que as câmeras foram mantidas desligadas.
O deputado destacou que respeita o trabalho dos servidores e da Polícia Legislativa, mas disse que a Câmara não pode seguir trabalhando “como se nada tivesse acontecido”.
“Fingir que não existe um desequilíbrio absurdo no que aconteceu hoje não é bom para esta Casa, não é bom para o povo brasileiro, não é bom para a nossa democracia”, afirmou.
Ao finalizar, Pedro Campos pediu humildemente que a Mesa forneça explicações formais sobre a operação:
“Participei da desocupação da última vez. Desta vez, só tive vergonha de assistir pelos vídeos de celular.”
O pronunciamento aumenta a pressão para que a Presidência da Câmara esclareça o episódio e dê transparência aos procedimentos internos, em meio a um ambiente político já tensionado pela votação do Projeto de Lei da Dosimetria.
