A líder da oposição venezuelana María Corina Machado sofreu uma fratura vertebral após deixar a Venezuela na semana passada, segundo informou sua porta-voz, Claudia Macero, nesta segunda-feira (15). A confirmação foi feita com base em informações publicadas pelo jornal norueguês Aftenposten. De acordo com a assessoria, a lesão foi diagnosticada no Hospital Universitário Ullevål, em Oslo, e, por enquanto, não serão divulgados outros detalhes além dos já tornados públicos.
Segundo a reportagem, a fratura ocorreu durante o trajeto de fuga, quando Machado era transportada em um pequeno barco de pesca em meio ao mar agitado. A opositora, de 58 anos, chegou à capital norueguesa na madrugada de quinta-feira, mas não conseguiu comparecer à cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz, sendo representada pela filha, Ana Corina Sosa, que recebeu a honraria em seu nome.
Desde a chegada à Noruega, María Corina havia manifestado o desejo de passar por avaliação médica, sem revelar o motivo. Apesar da lesão, ela chegou a participar de uma breve aparição pública em Oslo, quando ultrapassou uma barreira para cumprimentar apoiadores, gesto que chamou a atenção pela disposição demonstrada mesmo diante das limitações físicas.
A saída da Venezuela ocorreu sob absoluto sigilo. Vivendo escondida desde janeiro, sob risco de ser considerada foragida pelo governo de Nicolás Maduro, Machado deixou o país em uma operação descrita como complexa e arriscada. O ex-soldado americano Bryan Stern, fundador da Fundação Grey Bull, afirmou que a missão foi batizada de “Dinamite Dourada” e envolveu uma série de imprevistos e cuidados extremos de segurança.
De acordo com Stern, Machado deixou Caracas disfarçada, usando peruca, e seguiu até uma praia no norte do país. O barco inicialmente destinado à fuga apresentou problemas mecânicos e, mais tarde, a embarcação enfrentou dificuldades adicionais, como a falha do GPS e o mar revolto. Exposta ao frio e à água, ela foi transferida para outro barco, no qual seguiu até Curaçao. De lá, embarcou em um voo particular rumo a Oslo, com escala nos Estados Unidos.
Em entrevistas à imprensa internacional, Stern afirmou que, apesar das ondas de até três metros, as condições do mar favoreciam o resgate por dificultarem a detecção por radar. Ele negou apoio direto do governo americano, mas admitiu contato com autoridades militares dos Estados Unidos para evitar que a embarcação fosse confundida com alvos de operações antidrogas no Caribe. Segundo ele, os custos da missão foram cobertos por doadores privados.
Após chegar à Noruega, María Corina Machado relatou que viveu momentos de grande tensão. “Houve instantes em que senti que minha vida corria um risco real. Foi também um momento muito espiritual, em que senti que estava nas mãos de Deus”, declarou em Oslo. Em mensagens divulgadas nas redes sociais do Nobel, ela agradeceu às pessoas que participaram da operação e ressaltou o significado simbólico de sua chegada ao país.
Figura de grande popularidade na Venezuela, Machado foi impedida de concorrer às eleições presidenciais de 2024, vencidas por Nicolás Maduro em meio a contestações internacionais. Segundo Bryan Stern, a visibilidade da opositora tornou sua retirada do país uma das missões mais desafiadoras já realizadas. Apesar de aconselhada a permanecer no exterior, ela já manifestou o desejo de retornar à Venezuela, decisão que, segundo o especialista, caberá exclusivamente a ela.
