O Recife viveu um momento de celebração e afeto nesta segunda-feira (15) ao conceder à atriz, apresentadora, diretora e produtora Regina Casé os títulos de cidadã pernambucana e recifense. A cerimônia, realizada no auditório Senador Sérgio Guerra, na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), reuniu um público diverso, formado por fãs, artistas, familiares e admiradores que fizeram questão de testemunhar o reconhecimento à trajetória de uma das figuras mais marcantes da cultura brasileira.
O espaço ficou completamente tomado por aplausos e emoção. Parentes da artista, muitos deles vindos de Caruaru, se misturaram a nomes importantes da cena cultural pernambucana, como músicos, poetas e representantes do movimento artístico local, criando um clima de festa que extrapolou o caráter formal da solenidade. As honrarias foram propostas pelo deputado estadual Waldemar Borges (MDB), no âmbito estadual, e pelo vereador Eriberto Rafael, no municipal, como forma de reconhecer a profunda ligação de Regina com o Estado e com a capital.
Embora nascida no Rio de Janeiro, Regina Casé sempre foi vista por muitos como uma nordestina de alma. Durante a cerimônia, ela brincou com o fato de ser frequentemente chamada de “conterrânea” por pernambucanos, confessando que agora não precisaria mais explicar a origem carioca, já que o vínculo com Pernambuco se tornava oficial. A conexão, no entanto, vem de longe: Regina é neta de Ademar Casé, natural de Belo Jardim, pioneiro da radiofonia comercial e personagem fundamental na implantação da televisão no Brasil, o que reforça a presença pernambucana em sua história pessoal.
Em seu discurso, Waldemar Borges destacou que a homenagem não representa uma adoção tardia, mas o reconhecimento de algo que o povo pernambucano já sentia há muito tempo. Para ele, a relação de Regina com o Estado sempre foi marcada por pertencimento e identificação genuína. Já o vereador Eriberto Rafael ressaltou a importância de homenagear uma artista que dá visibilidade à cultura brasileira e faz com que diferentes públicos se sintam representados e incluídos, enxergando na homenagem uma forma de retribuir esse sentimento coletivo.
Acompanhada do marido, o cineasta Estevão Ciavatta, dos filhos Benedita e Roque, e do neto Brás, Regina Casé viveu a solenidade cercada de carinho. Na plateia, além de familiares, estavam artistas como Michelle Melo, João do Morro, integrantes do grupo Faces do Subúrbio, o pianista Amaro Freitas e a poetisa Luna Vitrolira, reforçando o simbolismo de uma homenagem que uniu gerações, linguagens artísticas e histórias de vida.
Ao fim da cerimônia, ficou a sensação de que o reconhecimento vai além dos títulos formais. Pernambuco e o Recife reafirmaram um laço construído ao longo de décadas, marcado pela valorização da cultura popular, pela escuta atenta das vozes do Brasil profundo e pelo respeito às múltiplas identidades que Regina Casé sempre ajudou a colocar no centro da cena nacional.
