O presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a se posicionar de forma dura contra o acordo comercial entre a União Europeia e os países do Mercosul, afirmando nesta quinta-feira (18) que o tratado “não pode ser assinado” nas condições atuais. Segundo ele, o texto ainda é insuficiente e não oferece as salvaguardas exigidas por Paris para proteger os agricultores europeus.
A declaração foi feita na chegada de Macron à cúpula de chefes de Estado e de governo da União Europeia, em Bruxelas, onde o presidente francês anunciou que pedirá o adiamento da assinatura do acordo, prevista para este sábado (20), no Brasil. Para Macron, a questão vai além de interesses nacionais e envolve o que chamou de “coerência europeia” na defesa do setor agrícola.
O líder francês defendeu que a Europa precisa proteger melhor seus produtores e afirmou que as negociações devem continuar para que o acordo seja concluído “corretamente”. Ele propôs que a assinatura seja adiada para o próximo ano, após a definição clara de todas as salvaguardas exigidas pela França.
Embora reconheça que houve avanços nas garantias incluídas no texto, Macron avaliou que as mudanças ainda não atendem às preocupações do país. Segundo ele, os agricultores franceses não podem ser sacrificados em nome de um acordo comercial que, na sua visão, desequilibra a concorrência.
Entre as exigências francesas está a inclusão de uma cláusula de salvaguarda que permita à União Europeia retomar o controle do mercado em caso de desestabilização. A postura de Macron ocorre em meio a uma forte onda de protestos de agricultores na França, especialmente no sudeste do país, contra medidas sanitárias, contra o acordo com o Mercosul e contra a reforma da Política Agrícola Comum.
No último domingo (14), a França formalizou o pedido para que a votação prevista no Conselho Europeu seja adiada para 2026, reforçando a resistência francesa ao tratado. Após décadas de negociação, o acordo entre União Europeia e Mercosul prevê a ampliação do comércio entre os blocos, facilitando a entrada de produtos sul-americanos como carne, açúcar, arroz, mel e soja no mercado europeu, além de impulsionar as exportações europeias de automóveis, máquinas, vinhos e licores.
*Com informações da Agência EFE
