O governo da Nigéria anunciou a libertação de cerca de 130 estudantes que haviam sido sequestrados no mês passado na Escola Católica St. Mary’s, localizada no estado de Níger, em um episódio que voltou a expor a grave crise de segurança enfrentada pelo país. Apesar do avanço, ao menos 20 alunos e todos os professores da instituição seguem em cativeiro.
O anúncio foi feito pelo porta-voz do Executivo nigeriano, Bayo Onanuga, que informou que os estudantes libertados devem chegar à cidade de Minna e se reunir com seus familiares a tempo das celebrações de Natal. Segundo ele, a libertação ocorreu após uma operação de inteligência militar. Com isso, o número total de alunos libertados chega a 230, somando os cem soltos anteriormente e outros que conseguiram escapar por conta própria.
O sequestro ocorreu em 21 de novembro, quando homens armados invadiram a escola católica e levaram 303 estudantes e 12 integrantes do corpo docente. Nos dias seguintes ao ataque, cerca de 50 alunos conseguiram fugir sozinhos. Em 8 de dezembro, um novo grupo foi libertado pelos sequestradores. Ainda assim, pelo menos 23 menores e todo o corpo docente permanecem sob poder dos criminosos.
O caso levou o governo a determinar o fechamento temporário de 41 escolas em estados da região central do país, como Níger, Kebbi, Plateau e Benue, áreas frequentemente atingidas por raptos em massa. De acordo com relatório do Unicef, apenas 37% das escolas em dez estados nigerianos afetados por conflitos contam com sistemas de alerta precoce, o que amplia a vulnerabilidade de estudantes e professores.
A violência na região é atribuída principalmente a gangues armadas, conhecidas localmente como “bandidos”, que realizam sequestros em larga escala para exigir resgates. Em paralelo, o país também enfrenta há mais de uma década a atuação de grupos jihadistas, como o Boko Haram e sua dissidência, o Estado Islâmico na Província da África Ocidental, responsáveis por ataques especialmente no nordeste do território.
O histórico de sequestros escolares ainda pesa na memória do país. Em 2014, o Boko Haram raptou 276 meninas na cidade de Chibok, em um episódio que gerou repercussão mundial. Segundo a ONU, embora algumas tenham conseguido escapar, pelo menos 91 continuam desaparecidas. A libertação parcial dos estudantes de St. Mary’s traz alívio momentâneo, mas reforça a dimensão de um problema que segue sem solução definitiva na Nigéria.
*Com informações da Agência EFE
