O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta terça-feira (23), em cerimônia no Palácio do Planalto, um decreto que reconhece, valoriza e promove a cultura gospel como manifestação cultural nacional. A medida oficializa o entendimento de que a música e as expressões artísticas ligadas ao universo evangélico integram o patrimônio cultural brasileiro e devem ser contempladas pelas políticas públicas de cultura.
O decreto define a cultura gospel como um conjunto de expressões artísticas, culturais e sociais vinculadas à manifestação da fé no Brasil, estabelecendo diretrizes para sua valorização, promoção e proteção no âmbito institucional. Na prática, o reconhecimento abre caminho para ações de fomento, preservação e incentivo a produções artísticas ligadas ao segmento religioso que mais cresce no país.
Durante o discurso, Lula fez uma fala de tom pessoal e político, destacando que o Brasil contrariou previsões pessimistas ao longo do ano. Segundo ele, havia setores que “não acreditavam que o país pudesse dar certo”, mas que foram surpreendidos pelo desempenho econômico e institucional. O presidente também citou sua trajetória de vida e afirmou ter sido criado com a convicção de que mudanças são possíveis quando há disposição para enfrentar dificuldades.
A solenidade reuniu figuras de peso do meio político e religioso. Estiveram presentes representantes evangélicos no Congresso e no governo, além de lideranças religiosas e artistas do cenário gospel, como os cantores Kleber Lucas e Nívea Silva. O evento contou ainda com apresentações musicais e manifestações de apoio ao reconhecimento da cultura gospel como parte integrante da identidade nacional.
A oficialização ocorre em um contexto de aproximação do governo federal com o público evangélico, segmento historicamente distante do campo político liderado pelo PT. Ao transformar a cultura gospel em patrimônio cultural reconhecido, o Planalto envia um sinal claro de diálogo institucional com esse universo, ao mesmo tempo em que incorpora uma expressão religiosa ao rol das manifestações culturais protegidas pelo Estado brasileiro.
*Com informações AE
