Informações publicadas no blog do jornalista Jamildo Melo apontam que o ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes Anderson Ferreira deve desistir da disputa pelo Senado em 2026 e redirecionar seu projeto político para a Câmara dos Deputados. O movimento ocorre após o isolamento de Gilson Machado dentro do Partido Liberal, que passou a trabalhar com apenas um nome para a corrida ao Senado, e revela uma reorganização estratégica do grupo Ferreira com olhos também em 2028.
Segundo relato feito ao blog sob reserva, a estratégia em construção prevê que Anderson capitalize o recall da eleição para o Governo de Pernambuco em 2022 e dispute uma vaga de deputado federal. Ao mesmo tempo, o irmão André Ferreira, atualmente na Câmara, passaria a mirar um retorno à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), onde já exerceu mandato entre 2014 e 2018. A leitura interna é que, eleito deputado estadual, André se credenciaria para disputar novamente a Prefeitura de Jaboatão em 2028.
O pano de fundo dessa engenharia eleitoral é o agravamento da relação entre o grupo Ferreira e o atual prefeito de Jaboatão, Mano Medeiros. Embora nenhum dos lados admita publicamente, nos bastidores o clima é descrito como de “guerra fria”. O distanciamento teria se aprofundado após a pré-candidatura de Andrea Medeiros, esposa de Mano, à Alepe, sem o aval dos Ferreira. A recente saída de Mano do PL e sua filiação ao PSD da governadora Raquel Lyra foi vista como a gota d’água. A movimentação também sinaliza um reposicionamento político mais amplo.
Apesar de presidir o PL em Pernambuco, Anderson Ferreira tem se mantido distante das mobilizações mais recentes do bolsonarismo, como atos em defesa da anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro. Essa ausência tem sido interpretada por aliados como um afastamento calculado do núcleo mais ativo do bolsonarismo, inclusive em meio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Ainda segundo a fonte ouvida pelo blog de Jamildo Melo, o grupo Ferreira perdeu o controle absoluto do tabuleiro político em Jaboatão, enquanto Mano “ganhou luz própria”. O resultado é um redesenho silencioso de estratégias, em que a desistência do Senado, a troca de cadeiras entre Câmara e Alepe e o esfriamento ideológico indicam que 2026 já está sendo jogado com as peças de 2028 no horizonte.
