Os chefes de Defesa da Tailândia e do Camboja assinaram no último sábado (27) um acordo de cessar-fogo com efeito imediato ao longo da fronteira comum entre os dois países. A decisão busca pôr fim aos confrontos iniciados em 7 de dezembro, que já deixaram cerca de 100 mortos e provocaram o deslocamento de aproximadamente 700 mil pessoas.
Segundo a declaração conjunta divulgada inicialmente pelo governo cambojano, as partes concordaram com a interrupção imediata das hostilidades a partir das 12h, no horário local. O acordo prevê o fim de ataques contra civis, infraestruturas e alvos militares em toda a linha divisória, que se estende por cerca de 820 quilômetros.
Os dois Exércitos também se comprometeram a evitar provocações, como o deslocamento de tropas nas áreas mais sensíveis da fronteira, palco de uma disputa territorial histórica. Outro ponto central do entendimento é a garantia de retorno seguro das populações deslocadas em decorrência dos combates.
No campo diplomático, Tailândia e Camboja acertaram tratar a controversa demarcação das zonas fronteiriças por meio de mecanismos bilaterais. O tema vinha gerando atritos desde que Phnom Penh recorreu a instâncias internacionais, movimento que causou desconforto em Bangcoc.
O acordo inclui ainda cooperação para a remoção de minas terrestres, uma das principais reivindicações do governo tailandês. Bangcoc acusa o Camboja de plantar novos artefatos explosivos, que teriam causado ferimentos — alguns fatais — em soldados nos últimos dois meses. As duas nações também se comprometeram a não ampliar o contingente militar na fronteira, a combater a disseminação de informações falsas sobre o conflito e a atuar de forma conjunta contra o tráfico de pessoas e as fraudes digitais na região.
O documento foi assinado pelos generais Tea Seiha e Nattaphon Narkphanit, ministros da Defesa do Camboja e da Tailândia, respectivamente, e estabelece a atuação de emissários da Associação de Nações do Sudeste Asiático como observadores do cessar-fogo.
Em entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério da Defesa tailandês confirmou que os 18 soldados cambojanos detidos em junho, durante confrontos que duraram cinco dias, serão libertados assim que cessarem as hostilidades, conforme normas e práticas internacionais.
Até o último balanço oficial, ao menos 43 civis e 24 militares haviam morrido na Tailândia, enquanto o Camboja contabilizou 31 civis mortos, sem divulgar números oficiais de baixas militares. No texto do acordo, Bangcoc e Phnom Penh mencionam o “espírito de Kuala Lumpur”, em referência ao entendimento de paz firmado em outubro na Malásia, com mediação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cujo governo atuou nas últimas semanas para conter a escalada do conflito.
*Com informações da Agência EFE
