A Rússia acusou a Ucrânia, nesta segunda-feira (29), de lançar 91 drones durante a madrugada contra a residência oficial do presidente Vladimir Putin, localizada na região de Novgorod. Segundo Moscou, o episódio pode levar a uma revisão da posição russa nas negociações para encerrar o conflito iniciado em 2022.
Em mensagem divulgada no Telegram, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, classificou a ofensiva como um “ataque terrorista do regime de Kiev” e afirmou que o Kremlin avalia medidas de retaliação diante do que considera uma escalada grave.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, negou qualquer envolvimento no suposto ataque e chamou as declarações russas de falsas. Em conversa virtual com jornalistas, ele afirmou que Moscou estaria “preparando o terreno” para justificar novos bombardeios, possivelmente contra Kiev e prédios do governo ucraniano.
A troca de acusações ocorre um dia após Zelensky se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um esforço para avançar em um possível acordo de paz. Segundo informações divulgadas após o encontro, Washington ofereceu garantias de segurança à Ucrânia por 15 anos, proposta considerada insuficiente por Kiev.
Zelensky afirmou que defende garantias de longo prazo, chegando a mencionar um período de 30 a 50 anos. Ele também declarou que a Ucrânia suspenderá a lei marcial apenas quando a guerra terminar e o país receber proteção efetiva contra futuras agressões russas.
Durante as negociações recentes, os Estados Unidos sinalizaram a possibilidade de oferecer garantias semelhantes às concedidas a membros da Otan, caso a Ucrânia aceite abrir mão de sua candidatura à aliança militar. Para Zelensky, sem garantias sólidas, não é possível considerar o conflito encerrado.
– Sem garantias de segurança, não se pode dizer que esta guerra terminou. Com um vizinho assim, o risco de nova agressão continua existindo – afirmou o líder ucraniano.
As acusações sobre o ataque com drones aumentam a tensão diplomática e militar em um momento delicado das tratativas internacionais, colocando em dúvida o avanço das negociações para um cessar-fogo duradouro entre Rússia e Ucrânia.
*Com informações da Agência AE
