O primeiro ataque terrestre realizado pelos Estados Unidos em território da Venezuela foi conduzido pela Agência Central de Inteligência (CIA), segundo informações de fontes do governo norte-americano repassadas ao jornal The New York Times. A operação ocorreu na última semana e teve como alvo um porto utilizado por narcotraficantes para o envio de drogas aos Estados Unidos.
De acordo com as fontes ouvidas pelo jornal, a ofensiva atingiu uma estrutura considerada estratégica para o tráfico internacional, apontada por Washington como uma das bases da organização criminosa Trem de Aragua. No local, a quadrilha armazenava entorpecentes e abastecia embarcações usadas no transporte da droga pelo Caribe. Ainda segundo os relatos, não houve registro de mortes durante a ação.
A existência do ataque foi confirmada publicamente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta segunda-feira (29). Dias antes, na sexta-feira (26), o republicano já havia mencionado de forma genérica a destruição de uma “grande instalação” ligada ao narcotráfico, durante entrevista à rádio WABC.
– Acabamos de destruir, não sei se você leu ou viu, eles têm uma grande fábrica, ou uma grande instalação, de onde vêm os navios. Há duas noites, destruímos isso. Então, os atingimos com muita força – afirmou Trump.
O presidente vinha sinalizando desde o início de dezembro que ampliaria as ações contra o narcotráfico venezuelano, inclusive com operações terrestres. No dia 11, em declaração no Salão Oval, Trump afirmou que os Estados Unidos começariam a agir “por terra” contra os narcotraficantes “muito em breve”, citando também o tratamento hostil dado pelo regime de Caracas a Washington.
Paralelamente às ações em solo, os EUA intensificaram ataques a embarcações suspeitas no Mar do Caribe e passaram a apreender navios petroleiros venezuelanos sancionados. O governo de Nicolás Maduro classificou essas ações como “pirataria” e denunciou uma escalada de agressões contra a soberania do país.
A revelação de que a CIA esteve diretamente envolvida na operação terrestre adiciona um novo elemento de tensão à já delicada relação entre Washington e Caracas, além de levantar questionamentos internacionais sobre os limites das ações unilaterais dos Estados Unidos na região.
*Com informações do Pleno News
