O policial francês que recebeu uma doação de 60.300 euros do atacante Kylian Mbappé pelo trabalho de proteção à seleção da França durante a Copa do Mundo de 2022 foi punido com aposentadoria antecipada. A informação foi divulgada nesta terça-feira (30) pelo jornal Le Monde.
Segundo a publicação, o agente, de 57 anos, conhecido como “Momo”, atuou por 21 anos junto à Federação Francesa de Futebol (FFF). Apesar da punição administrativa, ele deverá integrar a equipe de segurança da própria federação durante a Copa do Mundo de 2026, desta vez com um contrato temporário válido até o fim de julho.
A decisão foi tomada após investigação conduzida pela Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN), que apurou as condições de pagamento das doações recebidas por agentes responsáveis pela segurança da seleção. Aos policiais foram atribuídas possíveis infrações como falta de lealdade, de probidade e falhas na prestação de contas.
Concluído o processo administrativo, a direção da Polícia Nacional optou pela aposentadoria antecipada, aplicada em 20 de dezembro. A medida teve caráter simbólico, já que o próprio agente se aposentaria cerca de dez dias depois. Ainda assim, trata-se da sanção mais severa antes da expulsão definitiva, aplicada em casos raros dentro da corporação.
Paralelamente, o policial e outros quatro agentes são investigados pela Justiça francesa após comunicação do Tracfin, órgão responsável pelo combate à lavagem de dinheiro, fraude fiscal e financiamento do terrorismo. O foco da apuração são os pagamentos feitos por Mbappé, que somaram 180.300 euros aos cinco policiais.
De acordo com informações divulgadas anteriormente pelo semanário Le Canard Enchaîné, Mbappé teria consultado um advogado tributarista antes de realizar as doações e foi orientado de que os valores não precisariam ser declarados.
À época, o jogador recebeu cerca de 500 mil euros como prêmio da FFF pelo vice-campeonato mundial, após a derrota da França para a Argentina na final disputada nos pênaltis. Atualmente atleta do Real Madrid, Mbappé afirmou que decidiu doar integralmente o valor a associações civis e também aos membros da equipe policial responsável pela segurança da delegação francesa.
*Com informações da Agência EFE
