O governo brasileiro reafirmou neste domingo (4), durante reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), posição contrária à prisão de Nicolás Maduro na Venezuela, após a ação militar dos Estados Unidos. O posicionamento foi apresentado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
No encontro, convocado para discutir o ataque americano, o Itamaraty manteve a linha adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no sábado (3), ao tratar a captura de Maduro como violação da soberania venezuelana.
Em discurso, Mauro Vieira afirmou que as medidas adotadas pelos Estados Unidos ferem princípios do direito internacional e a Carta das Nações Unidas, ao desrespeitar a soberania e a integridade territorial dos Estados.
– A ação dos EUA representa uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e cria mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional – afirmou o ministro.
A posição do Brasil foi alinhada a uma nota conjunta assinada também por México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha, divulgada antes da reunião da Celac.
No documento, os países manifestam profunda preocupação e rechaço às ações militares realizadas em território venezuelano e alertam para os riscos à população civil e à estabilidade política da região.
– A situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, sem ingerências externas – afirma outro trecho da nota.
O texto também reforça a defesa da América Latina e do Caribe como zona de paz e pede unidade regional diante de iniciativas que possam elevar as tensões no continente, além de alertar que qualquer tentativa de controle externo de recursos naturais ameaça a estabilidade política, econômica e social da região.
