Os preços do petróleo registraram queda nesta segunda-feira (5), após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Venezuela e depois da confirmação, pela OPEP+, de que o nível de produção será mantido inalterado até abril.
O Brent, referência internacional negociada em Londres, recuava 0,6% por volta das 3h (horário de Brasília), sendo cotado a aproximadamente 60,40 dólares (R$ 329,08) por barril. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, caía 0,5%, sendo negociado em torno de 57 dólares (R$ 310) por barril.
Apesar de os preços terem iniciado o dia em alta, o movimento perdeu força após Trump exigir, no domingo (4), que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, conceda “acesso total” aos recursos naturais do país, especialmente ao petróleo.
– O que precisamos é de acesso total. Acesso total ao petróleo e a outras coisas no país que nos permitam reconstruí-lo – afirmou Trump.
Na mesma linha, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou que um dos principais interesses do governo é o petróleo pesado venezuelano, cuja extração foi afetada por sanções e instabilidade política.
Segundo Rubio, as refinarias da Costa do Golfo dos Estados Unidos são especialmente adequadas para processar esse tipo de óleo, que atualmente enfrenta escassez no mercado internacional.
– Nossas refinarias na Costa do Golfo dos EUA são as melhores para refinar este óleo pesado. Há escassez desse tipo de petróleo no mundo, o que pode gerar grande interesse da indústria privada – disse à ABC News.
Outro fator que pesou sobre os preços foi a decisão da OPEP+ de manter sua política de produção. O grupo confirmou, em reunião virtual realizada no domingo, que seguirá com os níveis atuais de oferta ao menos até abril, sem reagir diretamente à captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
Participaram da teleconferência ministros de Energia e Petróleo de países como Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã. Esses países haviam adotado cortes voluntários na produção desde 2023 para sustentar os preços internacionais.
Entre abril e dezembro de 2025, o grupo iniciou uma reversão gradual desses cortes, adicionando cerca de 2,9 milhões de barris por dia ao mercado, o equivalente a aproximadamente 2,8% da produção global. Ainda resta pouco mais de um milhão de barris diários para completar o desmonte total, mas a OPEP+ decidiu pausar novos aumentos durante o primeiro trimestre de 2026.
O mercado segue atento aos desdobramentos políticos na Venezuela e à possibilidade de maior oferta de petróleo no cenário internacional, fatores que tendem a manter pressão sobre os preços nas próximas semanas.
*Com informações da Agência EFE
