O aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã reacendeu o alerta no Oriente Médio após Teerã avisar aliados de Washington na região de que poderá atacar bases militares americanas caso haja uma ofensiva contra o regime iraniano. A informação foi divulgada pela agência Reuters, que ouviu um alto funcionário iraniano nesta quarta-feira (14), sob condição de anonimato, em meio à escalada provocada pela repressão violenta a protestos no país.
Segundo a reportagem, o governo iraniano pediu diretamente a países aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio que tentem dissuadir Washington de qualquer ação militar contra Teerã. Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Turquia estariam entre as nações alertadas sobre o risco de ataques a instalações americanas em seus territórios. O mesmo dirigente afirmou que, diante do agravamento do cenário, as conversas diretas entre o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, foram suspensas.
Israel também acompanha de perto o desenrolar da crise. De acordo com a Reuters, autoridades israelenses já têm conhecimento da intenção do presidente Donald Trump de intervir no Irã, embora ainda não haja definição sobre o momento ou a dimensão de uma eventual ação. No ano passado, Irã e Israel chegaram a se envolver em um confronto direto que se estendeu por quase duas semanas, aumentando o temor de um conflito regional de grandes proporções.
Enquanto isso, a diplomacia iraniana intensificou contatos com países da região. A mídia estatal informou que Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, conversou com o ministro das Relações Exteriores do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani. Paralelamente, Abbas Araqchi manteve diálogos com os chanceleres dos Emirados Árabes Unidos e da Turquia, em uma tentativa de articular apoio político e reduzir o isolamento internacional.
As ameaças surgem após declarações contundentes de Donald Trump. Em entrevista à emissora CBS News, o presidente americano afirmou que os Estados Unidos irão reagir de forma “muito enérgica” caso o Irã avance com execuções de manifestantes. Trump não detalhou quais medidas pretende adotar, mas deixou claro que o uso da força militar não está descartado. Segundo ele, protestos fazem parte da dinâmica política, mas a repressão com milhares de mortes ultrapassa qualquer limite aceitável.
Organizações de direitos humanos afirmam que a violência estatal já deixou mais de 2,5 mil mortos desde o início das manifestações. Nesta quarta-feira, cresce a comoção internacional em torno do caso de Erfan Soltani, de 26 anos, preso no dia 8 de janeiro após participar dos protestos e que, segundo entidades independentes, deve ser executado por enforcamento.
O risco de confronto direto preocupa aliados e analistas, especialmente diante da presença militar americana espalhada pelo Oriente Médio. Os Estados Unidos mantêm bases estratégicas na região, incluindo o quartel-general da Quinta Frota da Marinha, no Bahrein, e a Base Aérea de Al Udeid, no Catar. No ano passado, após ataques americanos a instalações nucleares iranianas, Teerã respondeu lançando mísseis contra Al Udeid, evidenciando o potencial de rápida escalada do conflito.
Com discursos cada vez mais duros, movimentações diplomáticas intensas e ameaças militares explícitas, a crise entre Irã e Estados Unidos volta a colocar o Oriente Médio em estado de alerta máximo, enquanto a comunidade internacional acompanha com apreensão os próximos passos de Washington e Teerã.
