O resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no interior do Paraná, passou a ter controle integral de um advogado que atua para a JBS, empresa do conglomerado dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A transferência foi concluída em abril do ano passado e envolveu a compra das cotas que pertenciam a dois irmãos e a um primo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.
O novo controlador do empreendimento é o advogado Paulo Humberto Barbosa, que mantém relações empresariais diretas com figuras centrais do grupo Batista. Ele é sócio de Renato Costa, atual presidente da Friboi, e de Gabriel Fortes, cunhado de José Batista Júnior, o primogênito da família. Os três integram a sociedade da Petras Negócios e Participações, empresa voltada ao aluguel de aeronaves, na qual Barbosa detém metade das cotas.
Além dessa atuação, o advogado possui ao menos dez empresas registradas em seu nome, com negócios que vão do comércio atacadista a investimentos financeiros e atividades no setor agropecuário. Seu escritório de advocacia também presta serviços em processos que investigam aquisições realizadas pelos irmãos Batista nos Estados Unidos com recursos provenientes de financiamentos do BNDES. Em nota, a JBS informou que o escritório de Barbosa atuou em ações da companhia em Goiás, mas afirmou que nem a empresa nem seus acionistas mantêm vínculo com os demais negócios do advogado.
A compra do resort foi realizada por meio de um fundo de investimento administrado pela gestora Reag, que teve sua liquidação extrajudicial decretada nesta quinta-feira (15) pelo Banco Central. A Polícia Federal investiga se recursos de fundos ligados à gestora foram utilizados em supostas fraudes envolvendo o Banco Master, que teve suas atividades encerradas em novembro do ano passado.
Embora Dias Toffoli nunca tenha figurado formalmente como sócio do Tayayá, o ministro é conhecido por frequentar o resort. No fim de 2025, ganhou repercussão uma visita feita por ele ao local em uma aeronave associada a Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, investigado na Operação Carbono Oculto. Roberto é apontado como suspeito de ligação com um esquema envolvendo a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
A mudança no controle do resort, somada às conexões empresariais e às investigações em curso, reacende questionamentos sobre a relação entre negócios privados, figuras do Judiciário e grandes grupos econômicos, ampliando o interesse público em torno do caso.
