O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quarta-feira (14) que integrantes da liderança iraniana estariam retirando grandes somas de dinheiro do Irã e possivelmente se preparando para deixar o país diante da escalada de protestos que atinge o regime. Segundo ele, as autoridades americanas monitoram transferências financeiras vultosas para contas e instituições fora do território iraniano, embora não tenham sido divulgados nomes dos envolvidos.
De acordo com Bessent, os valores movimentados chegam a milhões, e em alguns casos a dezenas de milhões de dólares, e já foram identificados em bancos de diferentes regiões do mundo. O secretário utilizou uma metáfora contundente ao afirmar que estaria ocorrendo uma fuga de recursos por parte da elite governante, sinalizando perda de confiança no próprio regime em meio à crise interna. Para o governo americano, esses movimentos financeiros indicariam um cenário de instabilidade crescente no Irã.
O país vive há quase 20 dias uma onda contínua de manifestações populares, inicialmente motivadas pelo agravamento da situação econômica, pela inflação elevada e por cortes no fornecimento de água e energia. Com o passar dos dias, os protestos ganharam força e passaram a expressar insatisfação mais ampla com o governo liderado pelo aiatolá Ali Khamenei.
A repressão às manifestações tem sido severa. Números não oficiais apontam para mais de 3 mil mortos, enquanto outras estimativas indicam que esse total pode chegar a 12 mil pessoas, em um cenário marcado por confrontos, detenções em massa e denúncias de violações de direitos humanos. As autoridades iranianas não divulgaram dados oficiais sobre vítimas ou prisões.
As declarações do secretário do Tesouro ampliam a pressão internacional sobre Teerã e reforçam a narrativa de que o regime enfrenta não apenas resistência popular nas ruas, mas também sinais de desagregação interna. Para Washington, a saída de recursos financeiros do país por parte de líderes iranianos evidencia o impacto político e econômico da crise e levanta questionamentos sobre a sustentabilidade do atual governo diante da instabilidade prolongada.
