Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante um evento no Rio de Janeiro provocou repercussão nas redes sociais e no meio político ao longo do fim de semana. Na última sexta-feira (16), durante a cerimônia de lançamento das medalhas comemorativas pelos 90 anos do salário mínimo, realizada na Casa da Moeda, o presidente fez um discurso no qual criticou o uso da inteligência artificial e mencionou a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), utilizando o pronome “ele” ao se referir a uma pessoa chamada Erika.
Ao alertar sobre os riscos da tecnologia, Lula afirmou que a inteligência artificial pode ser usada para manipular imagens e constranger pessoas, citando como exemplo a possibilidade de alterar fotos de mulheres. Em meio à fala, mencionou “a Erika”, descrevendo-a com pronomes masculinos, o que levou parte do público a interpretar que se tratava da parlamentar, que se identifica como mulher trans.
No mesmo discurso, o presidente também ironizou o sucesso de influenciadores digitais no Brasil, afirmando que conteúdos superficiais costumam alcançar mais visibilidade do que temas educacionais. Na comparação, Lula fez uma referência direta ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ao mencionar números expressivos de seguidores nas redes sociais. O chefe do Executivo ainda aproveitou a ocasião para criticar a expansão dos jogos de azar, especialmente as plataformas de apostas online, dizendo que elas chegaram ao ambiente familiar e afetam crianças, além de estarem associadas à corrupção. Segundo ele, o governo trabalha para endurecer regras e garantir a cobrança de impostos do setor, com apoio do Banco Central.
Diante da repercussão, Erika Hilton se manifestou neste domingo (18) para negar que tenha sido alvo da fala presidencial. Em publicação nas redes sociais, a deputada afirmou que não estava presente no evento e que Lula se referia a outra pessoa da plateia. Hilton destacou que estava no interior de São Paulo nos últimos dias e reforçou que não é a única mulher chamada Erika, afastando a interpretação de que o presidente teria se dirigido a ela.
O episódio reacendeu debates sobre linguagem, identidade de gênero e o impacto das falas públicas de autoridades, ao mesmo tempo em que evidenciou como discursos políticos rapidamente ganham novas leituras nas redes sociais, mesmo quando a intenção original é contestada posteriormente pelos envolvidos.
