A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou nesta terça-feira (20) que a segurança da Groenlândia pode ser reforçada com uma presença permanente da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), nos mesmos moldes do que já ocorre nos países bálticos. Segundo ela, essa foi exatamente a proposta apresentada pelo governo dinamarquês à aliança na véspera, como resposta ao cenário de crescente tensão geopolítica no Ártico.
Em declarações reproduzidas pela agência Ritzau após uma sessão de controle parlamentar em Copenhague, Frederiksen explicou que a ideia é estabelecer uma atuação contínua da Otan na Groenlândia e em seu entorno. O modelo citado é o da Estônia, Letônia e Lituânia, onde tropas da aliança permanecem estacionadas de forma permanente, além de ações conjuntas de vigilância marítima no Mar Báltico por meio da missão conhecida como “Sentinela do Báltico”. Para a premiê, essa experiência pode ser adaptada à realidade da região ártica.
A iniciativa ganhou força após uma reunião realizada na segunda-feira entre o ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, a representante das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Na ocasião, foi sugerida a criação de uma missão específica da aliança em torno do território autônomo ligado à Coroa dinamarquesa. De acordo com Frederiksen, a proposta teve uma recepção positiva por parte da Otan.
A chefe de governo também mencionou os exercícios militares “Resistência Ártica”, conduzidos pelas Forças Armadas da Dinamarca na Groenlândia com a participação de aliados europeus, e ressaltou que as manobras não representam uma ação dirigida contra os Estados Unidos. Segundo ela, houve “total transparência” com Washington durante o processo.
O debate sobre a segurança da ilha ocorre em um contexto sensível, marcado pelas reiteradas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a necessidade de assumir o controle da Groenlândia por razões estratégicas. No último fim de semana, Trump ameaçou impor tarifas a oito países que enviaram militares à ilha em missões de reconhecimento. O plano prevê uma tarifa inicial de 10% sobre todos os produtos a partir de 1º de fevereiro, que subiria para 25% em junho, mantendo-se em vigor até que seja alcançado um acordo para a “compra total e plena da Groenlândia” pelos Estados Unidos.
Diante desse cenário, a Dinamarca aposta no fortalecimento da cooperação multilateral como forma de garantir a estabilidade da região, sinalizando que vê na Otan o principal pilar para a segurança do Ártico em um momento de disputas estratégicas cada vez mais evidentes.
