O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha anunciou que pretende disputar uma vaga na Câmara Federal por Minas Gerais, em uma tentativa de retomar espaço no cenário político nacional. A decisão foi comunicada pelo próprio ex-parlamentar em suas redes sociais e integra uma estratégia de reconstrução de capital político no segundo maior colégio eleitoral do país.
Figura central do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, e posteriormente condenado no âmbito da Operação Lava Jato, Cunha aposta no Triângulo Mineiro como base de sua articulação. A cidade de Uberaba foi escolhida como principal polo de apoio, onde ele tem ampliado sua presença ao patrocinar o Uberaba Sport Club, buscando aproximação com lideranças locais e maior visibilidade regional.
A estratégia eleitoral também resgata um modelo já utilizado por Cunha no início de sua trajetória política, no Rio de Janeiro, com forte investimento em comunicação voltada ao público evangélico. A Rádio Maravilha, ligada ao ex-deputado, transmite partidas de futebol com exclusividade e recentemente expandiu suas operações para Belo Horizonte, estabelecendo sede na região da Savassi, uma área de grande circulação e influência na capital mineira.
A opção por Minas Gerais ocorre após avaliações estratégicas em outros estados. No Rio de Janeiro, seu reduto original, uma eventual candidatura o colocaria em concorrência direta com a filha, a deputada federal Dani Cunha, disputando o mesmo eleitorado. Já em São Paulo, onde tentou se eleger em 2022 pelo PTB, o desempenho foi modesto, com cerca de cinco mil votos, o que pesou na decisão de buscar um novo território político.
Com a mudança, Eduardo Cunha tenta redesenhar sua trajetória e testar sua capacidade de articulação em um estado decisivo para a política nacional, em um movimento que promete provocar reações e reacender debates sobre seu retorno à vida pública.
