A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, foi absolvida nesta terça-feira (20) pela Justiça de Paris em um processo por injúria movido por uma jovem que, em 2019, foi associada por ela ao islamismo radical após publicar uma foto usando véu. O Tribunal Correcional entendeu que a declaração da política não configurou crime, ao considerar que se tratava de uma referência à prática rigorosa de uma religião, sem menção a jihadismo ou a atos de violência.
O episódio ocorreu durante a campanha para as eleições europeias de 2019. À época, Yasmine Ouirhane, então recém-eleita “jovem europeia do ano” por uma fundação alemã, publicou em uma rede social uma imagem em que aparecia com véu e a bandeira da União Europeia ao fundo. A publicação recebeu resposta de Le Pen, que criticou o que chamou de promoção do islamismo radical, o que levou a jovem a recorrer à Justiça por se sentir alvo de uma acusação ofensiva.
Na decisão, os magistrados afirmaram que associar alguém a uma prática religiosa rigorosa não é, por si só, injurioso. Le Pen não esteve presente na leitura do veredito, pois prestava depoimento em outro processo judicial no mesmo horário.
A ausência da líder ultradireitista se deu em meio a um contexto jurídico delicado. Ela responde, em grau de apelação, a um caso envolvendo o uso irregular de recursos do Parlamento Europeu para financiar seu partido. Em março de 2025, Le Pen foi condenada em primeira instância a quatro anos de prisão, sendo dois em regime suspenso, além de cinco anos de inelegibilidade com aplicação imediata — medida que, por ora, a impede de disputar a eleição presidencial de 2027, na qual figura como favorita nas pesquisas.
Presente à audiência, desta vez sem o véu, Yasmine Ouirhane ainda pode recorrer da decisão. O caso reacende o debate na França sobre liberdade de expressão, laicidade e os limites do discurso político em um país onde a relação entre religião, identidade e política segue no centro das discussões públicas.
