O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta terça-feira que dificilmente aceitará o convite feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar um conselho internacional que a Casa Branca pretende criar para supervisionar a gestão da Faixa de Gaza no período pós-guerra. Segundo o líder ucraniano, a possível presença do presidente russo, Vladimir Putin, entre os integrantes inviabiliza qualquer participação de Kiev na iniciativa.
Zelensky destacou que os convites enviados também ao chefe do Kremlin e ao presidente de Belarus, Aleksandr Lukashenko, transformam a proposta em algo distante do objetivo anunciado por Washington. Para ele, a composição do grupo descaracteriza a ideia de um organismo voltado à estabilidade. “Com essas presenças, isso se parece mais com um conselho de guerra do que com um conselho de paz”, declarou, ao confirmar que diplomatas ucranianos ainda trabalham em uma resposta formal aos Estados Unidos.
A proposta de Trump prevê a participação de líderes de diferentes regiões do mundo para acompanhar e influenciar a administração de Gaza após o fim do conflito. A iniciativa, no entanto, já enfrenta resistências importantes. O presidente francês, Emmanuel Macron, recusou o convite por avaliar que o novo órgão poderia esvaziar o papel das Nações Unidas na condução da crise humanitária e política no território palestino. A decisão provocou reação dura da Casa Branca, que chegou a ameaçar a França com novas tarifas comerciais.
Outros países adotaram uma postura cautelosa, evitando confirmar adesão ou rejeição imediata à proposta, o que evidencia o clima de incerteza em torno da iniciativa americana. No caso da Ucrânia, o dilema ganha contornos ainda mais sensíveis. O país depende do apoio militar dos Estados Unidos — financiado em grande parte por recursos europeus — para continuar resistindo à ofensiva russa iniciada em 2022.
Ao sinalizar desconforto com o convite, Zelensky busca equilibrar a necessidade de manter o apoio estratégico de Washington com a coerência política de não dividir um espaço diplomático com líderes que considera diretamente responsáveis pela guerra em seu território. A resposta oficial de Kiev deve ser apresentada nos próximos dias, mas o tom adotado pelo presidente ucraniano já indica que a participação no conselho é vista como improvável.
