O influenciador digital Felca se pronunciou nesta terça-feira (20) após se tornar alvo de uma onda de reclamações, xingamentos e até ameaças vindas de crianças e jogadores do Roblox, uma das plataformas de jogos virtuais mais populares do mundo. Nas redes sociais, ele passou a ser apontado como o suposto responsável pelas recentes restrições impostas ao uso do chat por menores de idade dentro do jogo.
Em um vídeo publicado no Instagram, Felca expôs áudios recebidos por meio de mensagens diretas, nos quais crianças o questionam de forma insistente sobre uma suposta “denúncia” que teria levado à derrubada do chat para usuários com menos de 13 anos. “Por que você denunciou o Roblox e o chat?”, pergunta uma criança. “Por que tu foi logo denunciar o meu jogo favorito?”, diz outra, em tom de cobrança.
A associação entre o nome do influenciador e as mudanças na plataforma ganhou força após ele ter publicado, em 2025, um vídeo abordando a adultização de crianças em ambientes digitais. A partir disso, parte dos jogadores passou a acreditar que o conteúdo teria motivado o Roblox a endurecer suas regras. Felca, no entanto, nega qualquer relação com a decisão da empresa e afirmou que sequer tinha conhecimento da existência do chat de voz do jogo.
“Eu não tenho nada a ver com o chat do Roblox. Já faz quatro dias que vocês estão me perseguindo”, declarou no vídeo. Em tom de apelo, completou: “Nem sabia que existia chat de voz no Roblox. Crianças, por favor, me deixem em paz”.
Apesar da situação, o influenciador também recorreu ao humor para lidar com a repercussão. No final da gravação, ele ironiza os protestos ao simular uma ligação com os desenvolvedores do game. “O chat de voz do Roblox, pode derrubar”, brinca. “Aliás, faz o seguinte: derruba o Roblox todo agora, em 1º de março”.
Diante da escalada de ataques virtuais, o próprio Roblox se manifestou na última sexta-feira (16), após Felca relatar ameaças recebidas nas redes sociais. Em nota enviada ao jornal O Globo, a empresa afirmou que repudia qualquer forma de violência ou intimidação. “Condenamos as ameaças feitas contra qualquer pessoa online e incentivamos nossa comunidade a tratar todos com respeito, tanto dentro quanto fora da Roblox”, diz o comunicado. A plataforma reforçou ainda que suas regras não permitem conteúdos que incentivem danos no mundo real ou virtual.
O Roblox, que concentra uma base majoritariamente jovem — cerca de um terço dos usuários tem menos de 13 anos —, vem sendo alvo de críticas e denúncias relacionadas à segurança infantil. Ao longo dos últimos anos, surgiram relatos envolvendo bullying, abordagens inadequadas, ações de predadores sexuais e práticas conhecidas como “estupro de avatar”, o que pressionou a empresa a rever suas políticas.
As novas regras, que começaram a ser implementadas recentemente, preveem mudanças significativas no acesso ao chat. Crianças menores de 9 anos passam a precisar de autorização dos responsáveis para acessar o jogo. Já usuários acima de 13 anos só poderão conversar com pessoas de faixas etárias semelhantes. A comprovação da idade será feita por meio de um sistema de verificação facial desenvolvido pela própria plataforma.
Segundo o Roblox, as alterações não foram motivadas por ações isoladas de influenciadores, mas fazem parte de um processo iniciado em dezembro do ano passado, com testes em algumas regiões. A empresa afirma que as medidas visam proteger os usuários mais jovens e criar um ambiente mais seguro. “Essas mudanças foram projetadas para ajudar a proteger nossos usuários, especialmente os mais novos”, informou a plataforma em nota.
O endurecimento das regras ocorre após uma série de processos e denúncias. Em agosto, o estado da Louisiana, nos Estados Unidos, acusou o Roblox de permitir que predadores sexuais atuassem livremente dentro do ambiente virtual. Na ocasião, a empresa proibiu conteúdos de cunho romântico ou sexual e passou a revisar configurações e comportamentos associados a atividades inadequadas, ampliando as exigências de verificação de idade.
Enquanto o debate sobre segurança digital e responsabilidade das plataformas segue em pauta, Felca tenta se desvincular da polêmica e pede o fim dos ataques. O episódio evidencia não apenas a força da influência nas redes, mas também os desafios de proteger crianças em ambientes virtuais cada vez mais complexos.
