O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton criticou duramente, nesta semana, a atuação de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Minneapolis e em outras cidades do país, classificando as cenas recentes como “inaceitáveis” e perigosas para as liberdades civis americanas. Em comunicado divulgado na rede social X, Clinton afirmou que cidadãos, incluindo crianças, têm sido retirados de casas, locais de trabalho e vias públicas, além de denunciar repressão violenta a protestos pacíficos.
Segundo o democrata, pessoas que exerciam o direito constitucional de acompanhar e registrar ações policiais foram presas, agredidas e atingidas por gás lacrimogêneo. Ele citou ainda as mortes de Renee Good e Alex Pretti, baleados por agentes federais em Minneapolis, ressaltando que as ocorrências “deveriam ter sido evitadas” e levantam questionamentos graves sobre o uso da força.
Clinton acusou autoridades de divulgarem versões falsas dos fatos e de adotarem métodos cada vez mais agressivos, inclusive criando obstáculos para investigações conduzidas por órgãos locais. Para ele, o país atravessa um momento decisivo, no qual a erosão de direitos conquistados ao longo de mais de dois séculos pode se tornar irreversível. “Cabe a todos que acreditam na promessa da democracia americana se levantar, falar e mostrar que a nação ainda pertence ao ‘Nós, o Povo’”, declarou.
As críticas se somam a posicionamentos de outras lideranças democratas. Barack e Michelle Obama também condenaram as mortes em Minneapolis e afirmaram que o governo Donald Trump demonstra disposição para escalar o conflito, apontando contradições entre declarações oficiais e imagens divulgadas. No Congresso, o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, sinalizou que parlamentares democratas podem bloquear o financiamento do Departamento de Segurança Interna, o que reacende o risco de um novo shutdown a partir de 31 de janeiro.
Em resposta, Trump responsabilizou administrações estaduais e municipais governadas por democratas pelo que chamou de “caos”, acusando-as de falta de cooperação com o ICE e defendendo a atuação dos agentes federais. O embate político aprofunda a polarização em torno da política migratória e do uso da força pelo governo federal.
