Ministros do Supremo Tribunal Federal têm demonstrado incômodo crescente com a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante da crise envolvendo o ministro Dias Toffoli e o chamado “caso Master”. Nos bastidores da Corte, a avaliação é de que o governo tem evitado assumir protagonismo político no enfrentamento do problema, permitindo que o desgaste recaia quase exclusivamente sobre o Judiciário.
Segundo relatos de integrantes do tribunal, a percepção é de que o Planalto adota uma postura seletiva na relação com o STF: recorre à Corte em momentos estratégicos, mas se afasta quando o cenário se torna politicamente delicado. Para parte dos ministros, a situação ultrapassou o campo jurídico e ganhou contornos institucionais, com potencial de afetar o equilíbrio entre os Poderes.
Diante desse ambiente, cresce internamente a articulação em defesa de Dias Toffoli. Magistrados avaliam alternativas que evitem um agravamento do caso, como a possibilidade de encaminhar o processo à primeira instância sem afastar o ministro da relatoria no Supremo. A estratégia busca reduzir a pressão política sem abrir precedentes considerados perigosos para a Corte.
Há, porém, discussões mais sensíveis circulando entre interlocutores do meio político e jurídico. Alguns avaliam a hipótese extrema de afastamento de Toffoli, o que abriria espaço para a indicação de um novo ministro, potencialmente com apoio do Centrão no Senado. A ideia, no entanto, encontra forte resistência dentro do próprio tribunal, tanto pelo impacto institucional quanto pelo momento político considerado desfavorável.
Ministros lembram que a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ainda enfrenta dificuldades no Senado, o que tornaria arriscada a abertura de uma nova frente de negociação política. Para eles, iniciar outra articulação desse porte poderia aprofundar a instabilidade e expor ainda mais o Supremo a disputas externas.
Nesse contexto, proteger Toffoli passou a ser visto por parte da Corte não apenas como um gesto de solidariedade interna, mas como uma forma de preservar o próprio STF. A leitura predominante é que a sensação de uso instrumental do tribunal pelo governo reforça um sentimento de vulnerabilidade institucional, levando os ministros a se fecharem em torno da defesa da Corte diante de um cenário político cada vez mais sensível.
