O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (28), em discurso na sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, realizado na Cidade do Panamá, que “o uso da força” não é um caminho eficaz para enfrentar os problemas estruturais que afligem os países da região e defendeu a diplomacia como instrumento central para a solução de conflitos e a promoção da paz.
Ao abrir o evento, considerado um dos principais encontros políticos e econômicos do continente, Lula disse que intervenções militares se configuram como retrocessos históricos e que a divisão do mundo em zonas de influência e disputas por recursos estratégicos só aprofunda desigualdades e fragiliza a América Latina e o Caribe. Sua fala incluiu críticas indiretas aos episódios recentes envolvendo ações militares de potências externas, um tema que tem polarizado a agenda regional.
O presidente brasileiro afirmou ainda que a chamada “liberdade contra o medo” depende de limites ao uso da força e de mecanismos institucionais capazes de conciliar interesses diversos entre as nações latino-americanas, mantendo a região como um espaço de paz, cooperação e respeito ao direito internacional. Segundo Lula, essas condições só serão alcançadas com liderança comprometida e organizações regionais mais atuantes.
Lula também ressaltou que, apesar das críticas, houve momentos na história em que os Estados Unidos atuaram como parceiros no desenvolvimento latino-americano, citando exemplos de políticas externas do passado que priorizaram a diplomacia sobre a coerção.
O presidente defendeu ainda que nenhum país da região conseguirá enfrentar seus desafios isoladamente e defendeu a construção de um bloco econômico capaz de gerar maior integração e ajudar na erradicação da fome e da desigualdade. Para isso, destacou a importância da cooperação entre países como Chile, Argentina, Colômbia, Panamá, Venezuela e Honduras.
O Fórum, que reúne líderes políticos, empresários e representantes de instituições multilaterais, busca justamente debater o futuro econômico e geopolítico da América Latina em um momento em que a integração regional enfrenta desafios tanto internos quanto externos, incluindo divisões políticas e a necessidade de fortalecer organismos de articulação.
