A denúncia de uma suposta ação de espionagem envolvendo um secretário da Prefeitura do Recife ganhou novos desdobramentos nesta terça-feira (27), quando o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) encaminhou um ofício à Secretaria de Defesa Social (SDS). No documento, o órgão solicita informações detalhadas sobre a investigação preliminar conduzida pela polícia, após tomar conhecimento do caso por meio de reportagens divulgadas pela imprensa.
Em nota oficial, o MPPE informou que a iniciativa foi motivada pela repercussão das informações veiculadas, sem adiantar quais pontos específicos deverão ser esclarecidos pela SDS. O pedido ocorre em meio ao aumento da pressão pública por transparência sobre os procedimentos adotados pelas forças de segurança.
A polêmica teve início após reportagem exibida no último domingo (25) pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record. A matéria apontou que policiais da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil (Dintel) teriam utilizado supostos métodos de espionagem para apurar uma denúncia anônima contra o secretário de Articulação Política e Social da Prefeitura do Recife, Gustavo Queiroz Monteiro. Entre as práticas citadas estaria a instalação de um rastreador em um veículo. A investigação também envolveria Eduardo Monteiro, irmão do secretário e assessor da gestão municipal.
Em coletiva realizada na segunda-feira (26), a Secretaria de Defesa Social negou a existência de qualquer irregularidade ou motivação política na atuação da Polícia Civil. Segundo a pasta, os procedimentos seguiram os trâmites legais e não houve abuso de poder durante a apuração.
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), usou as redes sociais para se posicionar sobre o caso. Embora tenha afirmado que não se opõe a investigações policiais, criticou a forma como a apuração teria sido conduzida. “O que está em jogo não é a polícia investigar, mas fazer isso da forma certa. Eu não tolero corrupção, mas também não tolero perseguição”, declarou. O gestor também afirmou que adotará medidas judiciais para responsabilizar os envolvidos. “Isso não vai ficar impune. Não vale tudo para disputar uma eleição, nem vale tudo dentro de uma instituição tão séria como a Polícia Civil. A democracia não permite, nem permitirá, nenhum arroubo autoritário”, concluiu.
