Vestido como o super-herói Batman, um homem não identificado tomou a palavra durante uma reunião do Conselho da Cidade de Santa Clara, na Califórnia, para fazer um discurso contundente contra o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Em tom duro, ele criticou autoridades locais por, segundo ele, não adotarem medidas firmes para limitar a atuação de agentes federais na cidade, que recebeu reforço de segurança por causa do Super Bowl LX, marcado para o domingo, 8 de fevereiro, no Levi’s Stadium, casa do San Francisco 49ers.
Durante a fala, o manifestante afirmou que a prefeitura estaria colocando a população em risco ao permitir que agentes federais “circulem livremente” pela cidade durante um evento de grande porte. Para ele, a presença do ICE, ainda que não oficialmente confirmada no esquema de segurança, gera medo e insegurança entre moradores, especialmente em um momento de forte tensão nacional em torno das políticas de imigração.
O discurso foi marcado por críticas diretas aos membros do conselho, acusados de inação mesmo após meses de preparação para o evento esportivo. O homem exigiu que a cidade adotasse uma postura formal de não cooperação com o ICE, barrando o uso de recursos municipais e o compartilhamento de dados pessoais com a agência federal. Em um dos trechos mais incisivos, questionou se os representantes eleitos conseguiriam afirmar, diante de seus próprios filhos e familiares, que fizeram tudo o que estava ao alcance para proteger a comunidade.
Apesar de o site local SFGATE informar que não há confirmação oficial da participação do ICE na segurança do Super Bowl, autoridades municipais admitem que a presença de agentes de imigração é provável. O manifestante, então, elevou ainda mais o tom, chamando o conselho de “covardes” e acusando os políticos de traição caso não tomassem providências. Ao encerrar, afirmou que não estava pedindo favores, mas exigindo ações concretas e coragem por parte do poder público.
O protesto na Califórnia ocorre em meio a uma onda de manifestações em Minneapolis, desencadeadas pela morte de dois cidadãos norte-americanos em ações envolvendo agentes federais em menos de três semanas. O caso ganhou repercussão nacional e levou o ex-presidente Donald Trump a anunciar, em sua rede social Truth Social, que conversou com o governador de Minnesota, Tim Walz, e com o prefeito Jacob Frey, prometendo diálogo e acompanhamento direto da situação.
Trump também confirmou o envio de seu principal assessor para imigração, Tom Homan, ao estado, com a missão de relatar pessoalmente os desdobramentos. A Casa Branca reagiu após a divulgação de vídeos que mostraram a morte mais recente, o que provocou protestos de rua, críticas de lideranças democratas e até manifestações de desconforto dentro do Partido Republicano.
A secretária de imprensa Karoline Leavitt lamentou publicamente a morte de Alex Pretti, enfermeiro de 37 anos baleado e morto durante um protesto em Minneapolis. Antes disso, autoridades do governo o haviam classificado como “terrorista doméstico”. A morte de Pretti ocorreu semanas depois de outro episódio semelhante, que vitimou Renee Good, também americana e da mesma idade, reforçando o clima de tensão que agora se reflete em protestos simbólicos e cada vez mais dramáticos, como o do “Batman” diante do conselho municipal da Califórnia.
