A Rússia afirmou nesta quarta-feira (4) que a guerra na Ucrânia seguirá sem mudanças enquanto Kiev não aceitar integralmente as condições impostas por Moscou para um cessar-fogo. A posição inflexível foi confirmada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que deixou claro que, na visão russa, qualquer avanço rumo à paz depende da concordância ucraniana com termos considerados inegociáveis pelo governo de Vladimir Putin.
Entre as exigências apresentadas estão a concessão total da região do Donbas à Rússia, o congelamento das atuais linhas de batalha nas províncias de Zaporizhzhia e Kherson e a criação de garantias de segurança que impeçam, de forma permanente, a presença de forças ou países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em território ucraniano. Para Moscou, esses pontos são a base mínima para interromper os combates.
A declaração ocorre em um momento delicado do conflito, às vésperas de uma nova rodada de negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos. Representantes da Rússia e da Ucrânia devem se reunir em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, em uma tentativa de destravar o diálogo e buscar uma saída diplomática para a guerra, que já se estende por quase quatro anos e é considerada o confronto mais sangrento em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial.
Desde a invasão russa à Ucrânia, em fevereiro de 2022, diversas tentativas de negociação foram realizadas, sem sucesso. Rodadas anteriores de conversas fracassaram diante de posições rígidas de ambos os lados, especialmente em relação à soberania territorial ucraniana e às demandas de segurança feitas por Moscou.
Apesar do cenário adverso, a delegação ucraniana demonstra disposição para o diálogo. O chefe do Conselho de Segurança da Ucrânia, Rustem Umerov, que lidera a equipe em Abu Dhabi, afirmou nas redes sociais que a nova rodada de negociações busca alcançar uma paz “justa e duradoura”. Ainda assim, a distância entre as propostas russas e a posição de Kiev indica que o caminho para um acordo segue incerto, enquanto o conflito continua a redesenhar o equilíbrio político e militar da região.
