O universo da dublagem brasileira perdeu uma de suas vozes mais marcantes. Ricardo Schnetzer, conhecido por dar vida em português a personagens interpretados por astros como Tom Cruise e Al Pacino, morreu aos 72 anos. A confirmação da morte foi feita pelo sobrinho do artista por meio das redes sociais, onde amigos, colegas de profissão e admiradores prestaram homenagens emocionadas.
Schnetzer enfrentava uma dura batalha contra a esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença neurológica degenerativa que compromete progressivamente o sistema nervoso e limita, aos poucos, funções essenciais do corpo. No início deste ano, familiares e apoiadores organizaram uma vaquinha online para ajudar nos custos do tratamento, com meta de R$ 200 mil. Até então, pouco mais de R$ 118 mil haviam sido arrecadados, evidenciando a mobilização de fãs e da comunidade artística em torno do dublador.
A ELA é uma condição rara e ainda cercada de incertezas. Sem cura conhecida, a doença provoca a degeneração dos neurônios responsáveis pelos movimentos voluntários, levando à perda gradual da força muscular. Com o avanço do quadro, tarefas simples do dia a dia, como caminhar, falar, engolir e até respirar, tornam-se cada vez mais difíceis. Embora os sintomas apareçam com mais frequência após os 50 anos, pessoas mais jovens também podem ser afetadas.
Entre os sinais mais comuns estão a fraqueza muscular progressiva, cãibras, contrações involuntárias, dificuldades de coordenação, alterações na fala e na voz, engasgos frequentes e perda de peso. Em estágios mais avançados, muitos pacientes passam a depender de cadeira de rodas e de suporte respiratório. De acordo com dados do Ministério da Saúde, apenas uma parcela dos casos tem origem genética, enquanto outras possíveis causas incluem desequilíbrios químicos no cérebro, fatores autoimunes e alterações no funcionamento das proteínas.
Mesmo sem cura, o tratamento pode retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida. No Brasil, o Sistema Único de Saúde oferece o medicamento riluzol, além de acompanhamento em centros especializados de reabilitação, com fisioterapia e outros cuidados multidisciplinares. Ainda assim, o prognóstico é desafiador: cerca de 25% dos pacientes vivem mais de cinco anos após o diagnóstico, mesmo com tratamento adequado.
A morte de Ricardo Schnetzer reacende a atenção para a ELA e para a importância do apoio a pacientes que convivem com a doença. Mais do que a voz que marcou gerações de espectadores, ele deixa um legado artístico e humano, lembrado agora também como símbolo de resistência diante de uma condição implacável.
